Lula não deve socorrer BRB e mantém distância de Celina Leão

Analistas avaliam que governo federal evitará qualquer ligação com o caso

Por

Por Isabel Dourado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter a decisão de não autorizar um socorro por parte do Governo Federal para salvar o Banco Regional de Brasília (BRB), apesar da tentativa de lideranças do Centrão de abrir uma ponte de diálogo entre o Palácio do Planalto e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

A governadora do Distrito Federal faz parte da oposição ao Governo Federal e chegou a pedir ajuda do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para intermediar uma agenda com o presidente Lula. A governadora já tinha solicitado no final de abril uma reunião de emergência com Lula para pedir o aval da União a um empréstimo de R$6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Entretanto, ela não recebeu resposta alguma.

Especialistas ouvidos pelo Correio da Manhã avaliam que o presidente Lula não vê vantagem política em receber a governadora Celina Leão nem em sinalizar qualquer aproximação. Para Érico Oyama, analista político da BMJ Consultores Associados a estratégia do Palácio do Planalto é manter distância do Banco Regional de Brasília (BRB) que tem como acionista majoritário o GDF, deixando a responsabilidade política do caso concentrado na gestão da atual governadora Celina Leão.

"A classe política, de forma geral, tenta se desvencilhar de qualquer relação com o banco Master. Desde o início do caso, porém, tanto a direita quanto a esquerda passaram a explorar quem mantém maior proximidade com Vorcaro. Agora, integrantes da base governista passaram a destacar as mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro e a visita que ele fez mesmo após Vorcaro ter sido preso e estar usando tornozeleira eletrônica", ressalta Oyama.

Interlocutores avaliam ainda que o distanciamento de Lula do problema do BRB acaba enfraquecendo o projeto de eleição da governadora e pode atingir indiretamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que deve concorrer ao Senado pelo Distrito Federal e mantém relação próxima com Celina Leão. Esse cenário ajudaria a explicar a resistência do presidente Lula em receber a governadora.

8 de Janeiro

Na avaliação do analista político Leopoldo Vieira, o presidente Lula não tem interesse em se aproximar de Celina, por ela ser de oposição e carregar o desgaste da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha, especialmente por conta do 8 de janeiro. De acordo com ele, mesmo após tendo rompido politicamente com Ibaneis, Celina ainda mantém forte associação com a imagem do ex-governador.

"Tanto Celina quanto Ibaneis aparecem envolvidos; ainda há um grande enlace entre os dois, apesar de tentarem se desvencilhar um do outro, principalmente por conta do desgaste causado também pelo 8 de janeiro. Ainda que Celina queira muito se desvincular dele, ela está muito vinculada à imagem e pode se atribuir a ela essa negligência do ex-governador em relação a tentativa de golpe. O Lula não vai se aproximar desse tipo de toxicidade, uma política tóxica ainda mais sendo ele um presidente que tenta a reeleição.", pontua Vieira.

O cientista político Isaac Jordão vai na mesma direção e avalia que o Governo Federal passa todos os recados de que não vai "meter a mão na cumbuca" do problema do BRB. "O Governo Federal manda sinais de que não vai colocar a mão nessa cumbuca em relação ao BRB. O GDF vai ter que dar um jeito de cobrir os prejuízos que o BRB teve com o banco Master. A única solução apresentada até agora é desafetar propriedades do GDF. Na prática, vender bem Público para cobrir o prejuízo privado do BRB. O Governo Federal indica que isso é problema do GDF", explica.

Vieira aponta também que candidaturas de oposição no DF, como as de Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT), podem tentar absorver parte do eleitorado descontente com o governo de Celina Leão.