Operação Insider apura movimentação de R$ 15 milhões e mira funcionários do BRB

De acordo com a Polícia Civil do DF, ação não tem relação com o caso Master

Por Isabel Dourado

Os investigados são moradores do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a operação Insider contra dois funcionários do Banco Regional de Brasília (BRB), um servidor público federal, empresários e empresários e pessoas jurídicas. Os investigados são moradores do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Eles são suspeitos de terem movimentado R$15 milhões.

De acordo com informações da Polícia Civil, as investigações começaram após informações repassadas pelo próprio banco distrital, que detectou as irregularidades em uma de suas agências em Ceilândia, no DF, onde o gerente da agência teria participado de operações suspeitas e descumprido regras de compliance.

Os investigadores identificaram movimentações financeiras estimadas em R$15 milhões, envolvendo transferências suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas, operações com uso intensivo de numerário em espécie e indícios de ocultação patrimonial por meio da aquisição de veículos de alto valor e circulação fracionada de recursos.

O delegado-chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor), Diogo Cavalcante, esclareceu que a operação Insider não tem relação com o caso do banco Master. “Essa investigação começou no final do ano passado, quando o próprio banco BRB nos procurou trazendo informações suspeitas de movimentações atípicas dentro de uma agência bancária. A partir dessa comunicação, nós fizemos a investigação preliminar, instauramos inquérito policial, identificando várias irregularidades, movimentações típicas em espécie milionárias entre esses grupos que integram a organização criminosa e pedimos as medidas cautelares necessárias à investigação”, explicou.

A operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio financeiro proporcional ao valor das movimentações suspeitas nas contas bancárias dos investigados, bloqueio de transferências de oito veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal. A ação contou com o apoio da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (PRODEP/MPDFT), e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (DRCI/PCERJ).

Segundo os elementos já reunidos, parte dos valores investigados teria origem em fraude eletrônica milionária contra empresas privadas anteriormente identificadas, tendo os recursos sido bloqueados no BRB.

Títulos

A investigação da Polícia Civil do DF também apura possíveis irregularidades envolvendo operações estruturadas no âmbito da BRB DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários). Durante as investigações foi identificado que o referido empregado público do BRB, responsável pela intermediação de carteiras de ativos, teria operacionalizado a venda de ativos – três carteiras no valor de mais de 60 milhões de reais - e em datas imediatamente subsequentes às operações teria recebido percentual da operação, valor considerado incompatível com os rendimentos formalmente declarados.

Manifestação do GDF

O Governo do Distrito Federal divulgou nota à imprensa afirmando que "não haverá complacência com qualquer desvio de conduta" dentro do BRB 

Veja a íntegra da nota do GDF:

A operação deflagrada hoje (7) pela Polícia Civil do Distrito Federal é resultado de uma investigação iniciada pelo próprio BRB, a partir de auditoria interna realizada pelo banco. Desde a identificação das irregularidades, todas as informações foram encaminhadas às autoridades competentes para apuração rigorosa dos fatos. Não haverá complacência com qualquer desvio de conduta dentro da instituição. O compromisso do Governo do Distrito Federal é preservar a integridade do BRB, assegurar transparência nas apurações e garantir que eventuais responsáveis sejam punidos na forma da lei.