Chuvas no DF elevam risco de transmissão da leptospirose
Contaminação ocorre pelo contato com urina de animais infectados
Por Isabel Dourado
Com o período de chuvas se estendendo até o final de abril, no Distrito Federal aumenta a preocupação e o risco com a leptospirose. Por isso, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) reforça a importância da prevenção da doença.
A leptospirose é uma doença causada pela bactéria Leptospira, que pode infectar diversos animais. No ambiente urbano, porém, os principais transmissores são ratos e ratazanas. A transmissão ocorre pelo contato direto ou indireto com a urina desses animais, principalmente em água, lama ou lixo contaminados.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SinanNet), do Ministério da Saúde, mostram que, entre 2023 e 2025, foram registrados 53 casos e quatro óbitos pela doença no DF. Entre os sintomas estão febre, dor de cabeça, dores no corpo, especialmente nas panturrilhas e na região lombar. Nas formas mais graves, pode causar icterícia que deixa a pele, mucosas e os olhos amarelados, e evoluir para complicações como hemorragia, meningite e insuficiência renal, hepática e respiratória, com risco de morte.
De acordo com a Fiocruz, a doença apresenta uma letalidade média de 9%. No Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais. O risco da transmissão da doença aumenta consideravelmente após inundações.
Exposição
O médico veterinário Frederico Torres Braz explica que trabalhadores expostos ao risco (garis, trabalhadores de esgoto) devem estar mais atentos caso sintam algum dos sintomas da doença. Ele reforça que, em caso de sintomas após contato com água de enchente, ou água contaminada, é fundamental procurar unidades básicas de saúde (UBS) ou unidades de pronto atendimento (UPA). Braz também recomenda que pessoas que tiveram contato com água de enxurrada ou lama de enchente devem se lavar imediatamente ao chegar em casa.
"No início, os sintomas podem ser comuns a outras doenças. Por isso, é importante que, caso a pessoa sinta os sintomas e ache que pode ter sido exposta à bactéria, procure atendimento, principalmente se fizer parte de grupos de risco, como trabalhadores da rede de esgoto, de fossas, garis, ou pessoas que alimentam animais onde pode haver presença de ratos. Essas devem se preocupar mais."
Prevenção
Braz esclarece também que medidas simples, como manter alimentos bem armazenados e protegidos de roedores, manter a casa e o quintal limpos e vedar frestas e buracos para evitar a entrada de ratos, fazem diferença no controle da doença. "É importante armazenar o lixo de forma correta, em contêineres com tampa. Medidas de prevenção e vigilância são fundamentais para diminuir o número de casos."
Para conter o avanço da doença, a Secretaria de Saúde do DF realiza ações como educação em saúde para a população, visitas técnicas a locais prováveis de contaminação, controle de roedores em áreas de risco e monitoramento de casos suspeitos.