Estudo do DF analisa como é a interação dos jovens com diferentes plataformas digitais ao mesmo tempo

Por Mateus Lincoln

A pesquisa gerou ainda a coletânea digital Alphamídia, com análises sobre comportamento de audiências, recebendo classificação L1 na avaliação quadrienal da Capes

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Católica de Brasília (UCB) analisa como os jovens utilizam plataformas digitais de forma simultânea e aponta implicações fundamentais para o ensino e a comunicação.

O estudo "Alfabetização Transmídia - Alphamidia", apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), investiga as práticas de uso, produção e circulação de conteúdos em ambientes conectados.

Coordenada por Alexandre Kieling, do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa, a investigação examina competências relacionadas ao uso de mídias em um cenário de convergência entre televisão, redes sociais, streaming e celulares.

A iniciativa reuniu estudantes, universitários e professores em atividades de observação, entrevistas, questionários estruturados e dinâmicas em laboratório. O trabalho identifica a chamada alfabetização transmídia como a capacidade de acessar, produzir e compartilhar conteúdos em múltiplos meios.

Os participantes deixam de atuar apenas como receptores e passam a integrar a circulação de informações, fenômeno descrito pelo termo "produser", que combina os papéis de produtor e usuário.

A prática inclui comentar programas em redes sociais, criar vídeos e distribuir materiais informativos.

Os dados mostram que o uso simultâneo de telas amplia a interação com conteúdos e narrativas, sendo o smartphone a principal ferramenta de acesso, criação e compartilhamento de dados.

O levantamento também detalha hábitos ligados ao estudo, como assistir a videoaulas online, pesquisar temas acadêmicos e acessar aplicativos educacionais.

Entre os conteúdos de entretenimento, destacam-se filmes, séries de TV e outros formatos, como programas de culinária e games.

Os resultados do estudo, de acordo com Kieling, indicam que ambientes digitais são usados para fins educativos e sugerem que instituições de ensino adotem estratégias alinhadas às linguagens e plataformas mais usadas pelos alunos, com foco nos conteúdos audiovisuais.