DF: projeto de dança para jovens reeducandos

Internos de 18 a 21 anos participam de oficinas de dança e capoeira

Por Mateus Lincoln - BSB

Ação acontece na unidade de internação de Santa Maria

Jovens em cumprimento de medida socioeducativa na Unidade de Internação de Santa Maria, no Distrito Federal, participam do projeto "A Arte Salva", que oferece oficinas de dança e expressões culturais ligadas à capoeira. A iniciativa atende internos de 18 a 21 anos em processo de ressocialização e é realizada com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), vinculado à Secretaria de Cultura (Secult-DF).

As atividades são divididas em módulos de Maculelê, Berimbau e Samba, com foco nas funções de mestre-sala e porta-bandeira. As aulas incluem apresentações dos educadores, prática rítmica, desenvolvimento técnico, criação coreográfica e ensaios.

O cronograma foi iniciado no dia 27 de fevereiro e prevê encontros semanais de três horas ao longo de quatro meses, com acompanhamento formativo.

Para o idealizador do projeto, Ricardo Alexandre Ribeiro de Lira, a proposta busca trabalhar valores sociais por meio da arte.

"Neste trabalho buscamos simbolizar essa união através da fusão entre a capoeira e a dança do mestre-sala e da porta-bandeira", afirmou. Ele também destacou a relação simbólica da coreografia com a estrutura familiar.

Segundo Lira, o conteúdo inclui noções históricas das manifestações afro-brasileiras, com abordagem sobre ancestralidade, resistência e coletividade.

As atividades também envolvem musicalidade, expressão corporal e coordenação motora, além de exercícios voltados à escuta e ao trabalho em grupo.

A proposta considera a trajetória individual dos participantes e incentiva disciplina, convivência e construção coletiva.

A equipe conta com a participação do Mestre Foca, nome artístico de Eduardo Segovia, ligado à tradição da capoeira no DF, além da dançarina Laryssa Barreto Wanderley da Silva, graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e com formação complementar pelo Instituto Federal de Brasília (IFB).

Também integra a ação a cantora Célia Rabelo e banda, com participação em atividades musicais ao longo do projeto.

O projeto prevê acessibilidade, com intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em todos os encontros, estrutura adaptada com rampa, corrimão e banheiro acessível, além de recursos como audiodescrição no encerramento. Ao final do ciclo, os participantes apresentam uma atividade interna e recebem certificados de participação.

As atividades também serão registradas em vídeo, com objetivo de documentar a experiência, compor a memória institucional e ampliar o debate sobre o uso da cultura em contextos socioeducativos, com possibilidade de difusão do conteúdo produzido.