Crise no diesel ameaça transporte entre DF e Entorno, alerta entidade do setor
Pedido de providências foi feito à ANTT pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros (ANATRIP)
A Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros (ANATRIP) protocolou junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ofício solicitando medidas emergenciais para evitar a interrupção dos serviços de transporte entre o Distrito Federal e o Entorno, considerando a crise do diesel e o impacto no abastecimento integral das frotas.
Segundo o ofício nº 23/2026, a escalada do conflito no Oriente Médio desestabilizou o mercado de combustíveis, provocando escassez de diesel e aumento insustentável nos custos operacionais. Empresas associadas à Anatrip já se deparam com dificuldades concretas para aquisição de volumes suficientes de diesel para abastecimento integral de suas frotas, situação que compromete diretamente a regularidade e a continuidade da prestação do serviço público de transporte semiurbano de passageiros.
O documento destaca que o serviço prestado pelas empresas representadas pela associação possui natureza essencial, atendendo diariamente milhares de trabalhadores que dependem desse modal para deslocamento entre o Distrito Federal e o Entorno. O ofício também ressalta a dependência do Brasil em relação à importação de diesel, responsável por cerca de 30% do consumo nacional, tornando o setor vulnerável às oscilações internacionais do petróleo, que já ultrapassou a marca de US$ 100 por barril.
Diante do cenário, a Anatrip propõe à ANTT a adoção de medidas emergenciais para proteger o setor e a mobilidade dos usuários. Entre as ações sugeridas estão mecanismos extraordinários para compensar o aumento abrupto do custo do combustível, autorizações temporárias para reduzir a oferta de veículos, ajustando a operação à disponibilidade atual de diesel, e a implementação de normas regulatórias de emergência que garantam a continuidade do serviço para os milhares de passageiros que dependem do transporte diariamente.
“A situação apresenta contornos graves, tendo em vista que algumas empresas já relatam não estar conseguindo adquirir combustível em quantidade suficiente para o abastecimento integral de suas frotas, circunstância que pode comprometer, em curto prazo, a manutenção da operação regular das linhas”, destaca o ofício da associação.
O documento reforça que as flexibilizações adotadas durante a pandemia da COVID-19 servem como referência para a implementação de medidas emergenciais neste momento, destacando a necessidade de urgência e diálogo institucional para evitar o colapso do sistema.