DF registra 5,5 mil acidentes com animais peçonhentos
Escorpião amarelo é responsável pela maioria dos casos ocorridos
Por Isabel Dourado
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) registrou 5.549 casos de picadas de animais peçonhentos em 2025, um aumento de 24,55% em relação a 2024. Segundo a pasta, mais de 90% dos casos ocorreram em áreas urbanas. Fenômenos como queimadas e início do período chuvoso contribuem para que o número de ocorrências tenha aumentado nos últimos quatro meses do ano. Nesse período, houve uma média de 42,8 acidentes por semana, sendo 86,4% causados por escorpiões e os demais por cobras, aranhas e lagartas.
O escorpião é responsável pela maioria dos acidentes no Distrito Federal, sendo o escorpião amarelo o mais comum. Sua picada pode provocar acidente leve, moderado e grave (especialmente em crianças e idosos). Podem ser encontrados ainda o escorpião preto e o de patas rajadas. Eles são predadores, alimentando-se principalmente de insetos.
De acordo com informações da Secretaria, dos 5.099 casos entre moradores do Distrito Federal, 4.676 (91,7%) foram considerados leves, enquanto 61 (1,1%) foram classificados como graves. Em 2025, 328 pessoas precisaram receber o soro contra o veneno, atualmente disponível em dez hospitais da SES-DF. Especialistas esclarecem que na maioria das ocorrências, o tratamento inclui medidas de suporte para alívio da dor local e febre.
Referência na produção de soros há 124 anos, o Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, produz e distribui para o Ministério da Saúde, atualmente, doze tipos de soros que são usados para tratar ou prevenir intoxicações causadas por venenos ou toxinas. Entre eles, estão oito diferentes tipos de antivenenos que são específicos para combater os efeitos de animais peçonhentos como cobras, lagartas, aranhas e escorpiões. Esses soros contém anticorpos capazes de neutralizar os venenos e evitar complicações graves.
O biólogo da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), Israel Moreira, orienta que é fundamental controlar o aparecimento de baratas nas casas, não deixar entulho no quintal, tampar frestas nas paredes, manter as caixas de esgoto e de telefone vedadas, fazer revisões na parte elétrica e vedar ralos com telas.
"A gente acaba fornecendo condições favoráveis de sobrevivência aos escorpiões. As caixas de esgoto, telefone e eletricidade devem estar devidamente vedadas. Também é essencial vedar as portas, colocar telas nos ralos e criar barreiras físicas para dificultar o acessos de escorpiões", explica Moreira. Outra medida para evitar os acidentes é afastar berços e camas das paredes e não deixar que as roupas de cama encostem no chão.
Os principais sintomas de envenenamento são dor, inchaço e reação inflamatória no local. Nos casos mais graves, pode haver dificuldades para respirar, alteração cardíaca e até parada respiratória. Os sintomas, porém, variam muito conforme o animal, por isso a Secretaria reforça a importância de buscar atendimento médico em casos de acidentes.
A Secretaria de Saúde conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) do Samu, referência no atendimento aos pacientes intoxicados e vítimas de acidentes com animais peçonhentos, que funciona 24 horas por dia.