Justiça divulga dados sobre violência de gênero em GO
Mulheres notificadas por suspeita de violência têm 4x mais chances de morrer
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) apresentará hoje (9) um estudo que indica que as mulheres notificadas por suspeita de violência na rede pública de Goiânia (GO) tiveram risco quatro vezes maior de morrer por causas externas em comparação à população feminina goiana.
A apresentação acontecerá na abertura da 32ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, às 8h30, no Auditório desembargador José Lenar do TJGO. Segundo a pesquisa, em parte dos registros, os óbitos ocorreram em menos de 30 dias após a comunicação do caso, intervalo considerado decisivo para prevenir desfechos fatais. A análise foi realizada pela Gerência de Vigilância às Violências e Acidentes da Secretaria de Saúde de Goiânia, em parceria com a Vital Strategies.
O trabalho analisou casos entre 2010 e 2020, com base na integração dos sistemas SINAN, SIH e SIM. Foram mais de 24 mil registros no período, sendo 20 mil de violência interpessoal. Após o cruzamento das bases, quase 8,3 mil mulheres compuseram a amostra final examinada.
O levantamento identificou falhas no registro. Cerca de dois terços das internações por lesões não tinham informação sobre a causa básica. Também foi verificado que 70% das hospitalizações por agressão não possuíam notificação no sistema de vigilância, o que indica perda de oportunidade de atuação preventiva.
A análise apontou redução de risco entre mulheres atendidas na rede pública e encaminhadas a serviços de proteção. Houve diminuição de 40% na probabilidade de internação e de 64% no risco de morte por feminicídio. Nos casos direcionados à Justiça, a queda foi de 55% para hospitalização e de até 80% para morte.
A solenidade será conduzida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. Estão previstas as presenças do presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, da desembargadora Alice Teles, além de magistradas e representantes da rede de enfrentamento. A psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo fará a apresentação do estudo. Lili de Grammont participará de mesa-redonda sobre prevenção.
Durante a abertura também será lançado o Selo Cidade sem Feminicídio e a Carta - Judiciário Goiano Pela Vida das Mulheres. As iniciativas integram a agenda institucional de enfrentamento à violência doméstica no âmbito do Judiciário goiano.
A 32ª edição da Semana será realizada até sexta-feira (13).
A mobilização prevê mutirões de audiências, julgamentos concentrados, análise de medidas protetivas e ações educativas. A coordenação nacional é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e envolve tribunais de todo o país.
