Família de jovem agredido e morto cobra indiciamentos

Pai de Rodrigo Castanheira aponta que crime foi premeditado

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Rodrigo Castanheira ficou internado por 16 dias na UTI em estado grave e não resistiu

Por Isabel Dourado

O advogado Albert Halex, que representa a família do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, que morreu no dia 7 de fevereiro após ser brutalmente espancado por Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, afirmou em coletiva de imprensa, na última sexta-feira (27), que foram feitos dois pedidos à Justiça para que os outros quatro integrantes que estavam no veículo no momento da briga também sejam responsabilizados pelo crime. Segundo o advogado, o crime que ceifou a vida de Rodrigo foi premeditado.

Até agora, apenas Pedro Turra, foi denunciado por homicídio doloso pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Ele permanece preso em cela individual no Complexo da Papuda. "A defesa e a família têm a convicção de que houve premeditação e todos devem ser denunciados. De fato, eles praticam o crime em bando, em várias oportunidades. Em todos os outros casos de agressão de Pedro, essas mesmas pessoas também tiveram participação, então é um modus operandi desse bando", afirmou Halex.

O advogado disse ainda que a denúncia e as investigações precisam ser feitas o quanto antes. "Essa ausência de investigação dos demais envolvidos acarreta prejuízo processual e nós já fizemos esse pedido em duas oportunidades. Agora, nosso próximo passo, já marcamos um despacho com o Ministério Público do Distrito Federal, para justamente fazer esse trabalho em conjunto, porque nós auxiliamos a Justiça para que todos sejam investigados", disse. A família de Rodrigo concedeu, pela primeira vez, na última sexta-feira (27), uma entrevista coletiva para falar sobre o caso. O empresário Ricardo Castanheira e a estudante Isabela Fleury, pai e irmã do adolescente, participaram da entrevista visivelmente abalados emocionalmente. Comovido e esmagado pela dor da perda do filho, o pai afirmou: "a gente só vai viver o luto quando a justiça for feita."

Após a morte do filho caçula, Ricardo conta que a vida da família mudou completamente e agora é marcada pela dor. "Espero que um dia seja menos pior que o outro. O dia a dia não é mais o dia a dia. Não consigo ver fotos dele, não consigo ver o quarto, dou a volta para não passar na frente do colégio dele." Para Ricardo, todos os amigos de Pedro Turra que estavam presentes no momento da agressão estavam cientes do que estava acontecendo.

Caso

Durante a briga que foi gravada, Pedro Turra desferiu vários socos contra Rodrigo. Ele sofreu traumatismo craniano severo e foi levado ao hospital em estado crítico. Rodrigo passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, após o rompimento de uma artéria. O jovem ficou internado por 16 dias em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras, e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Rodrigo Castanheira foi sepultado no dia 8 de fevereiro, no cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, sob forte comoção e pedido de justiça dos familiares e amigos.