DF integra projeto-piloto de migração de insulina no SUS
Tratamento com produto do tipo glargina tem ação prolongada
Por Isabel Dourado
O Distrito Federal está participando do projeto-piloto do Ministério da Saúde (MS) que promove a transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose (açúcar) transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), existem atualmente no Brasil mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional.
De acordo com o Ministério, a transição é um avanço para o cuidado de pessoas que vivem com Diabetes Melito no Brasil e amplia as opções terapêuticas na rede pública de saúde. O tratamento é mais moderno, de ação prolongada e facilita a rotina dos pacientes. No entanto, pode custar até R$ 250, para dois meses, na rede privada.
O médico endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Renato Zilli, explica que a principal vantagem do tratamento com insulina glargina é a necessidade de apenas uma aplicação diária, diferente da insulina humana (NPH), que exige de três a quatro aplicações. "A insulina glargina tem duração de quase 24 horas. Então, é uma aplicação ao dia, às vezes duas. Ela controla melhor o diabetes e reduz a hipoglicemia (condição caracterizada pela baixa concentração de glicose no sangue). A glargina vem em caneta, não é em frasco e tem um guia de aplicação muito mais fácil."
Inicialmente o público-alvo é crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase do projeto-piloto. Profissionais da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) participaram de uma capacitação sobre o uso correto das canetas aplicadoras de glargina, os fluxos de recebimento e troca pelo paciente, além de orientações sobre manejo clínico e armazenamento correto.
Complexo Industrial
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avalia que a expansão da oferta de tratamento para diabetes no SUS representa um fortalecimento do complexo industrial brasileiro. "É parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população. Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes."
A iniciativa do Ministério responde ao cenário de escassez global das insulinas humanas NPH com o objetivo de assegurar a continuidade do cuidado às pessoas com diabetes. Já utilizada no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, conhecido como Farmácia de Alto Custo, para pacientes com diabetes tipo 1, a glargina passa a ser avaliada também para o tratamento do diabetes tipo 2.
A expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a chinesa Gan & Lee.
