MT segue como maior produtor de grãos em 2026

No entanto, a estimativa aponta para uma colheita menor

Por Mateus Lincoln - BSB

Soja segue como principal cultura agrícola do estado

Mato Grosso deve permanecer como o maior produtor de grãos do Brasil na safra 2025/2026, mesmo com ajuste negativo na estimativa de produção. O 4º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica colheita de cerca de 107,9 milhões de toneladas, volume 4% menor que o registrado no ciclo anterior.

A retração é atribuída, principalmente, às condições climáticas irregulares e à queda de rendimento em parte das lavouras. Ainda assim, o estado mantém papel central no abastecimento nacional, por responder por aproximadamente um terço de toda a produção brasileira.

A área cultivada em Mato Grosso alcança 22,76 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação à safra passada.

Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), a expansão reforça a relevância do Mato Grosso no Centro-Oeste, região responsável por quase metade do total de grãos colhidos no país.

A soja continua como principal cultura, com expectativa de produção de 48,6 milhões de toneladas, sustentando a liderança estadual, mesmo sem compensar integralmente as perdas observadas em outras cadeias.

Entre os grãos produzidos, o sorgo é a única cultura com previsão de aumento, estimado em 13,5%. A elevação ocorre em função da busca por alternativas mais estáveis na segunda safra, com menor dependência hídrica e maior adaptação ao encurtamento da janela de plantio.

Já o milho apresenta retração de produtividade, sobretudo no cultivo de inverno, enquanto o algodão registra redução tanto de área quanto de rendimento, influenciado por custos elevados e menor atratividade econômica.

O boletim da Conab aponta que, ao longo do ciclo produtivo, houve períodos de estresse hídrico e térmico, que afetaram o desenvolvimento das plantas e o enchimento dos grãos.

Apesar das chuvas acima da média registradas em dezembro, a irregularidade climática comprometeu o desempenho das lavouras. A produtividade média estadual deve ficar em 4,7 toneladas por hectare, queda de 5,9% em comparação ao ciclo anterior.

Com isso, o governo estadual tem ampliado políticas públicas voltadas à redução de custos e ao estímulo à produção agropecuária. Entre as medidas estão a prorrogação do diferimento do ICMS sobre fertilizantes até dezembro de 2026, a manutenção de incentivos fiscais e a ampliação do acesso ao crédito rural por meio do Desenvolve Rural.

O estado também opera o MT Garante, mecanismo que oferece garantias complementares e facilita financiamentos para pequenos e médios produtores.