Comidas do Cerrado na merenda escolar

Subsecretária aponta benefícios da medida e os desafios para implementação

Por Thamiris de Azevedo

Os alimentos do Cerrado são ricos em vitaminas

A Secretaria de Educação do Distrito Federal recebeu a nota técnica “Caminhos do Cerrado na Alimentação Escolar do DF”, produzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF). O estudo indica diretrizes para a inserção de produtos florestais não madeireiros do Cerrado nos cardápios das escolas da rede públicas e conveniadas de ensino. A iniciativa está alinhada às diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prevê a destinação de pelo menos 45% dos recursos para a agricultura familiar.

A nota técnica destaca o potencial nutricional de frutos nativos do Cerrado, como pequi, baru, mangaba, jatobá e cagaita, ricos em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. Em entrevista ao Correio da Manhã, a subsecretária de Apoio às Políticas Educacionais, Fernanda Melo, avalia que a adoção desses alimentos contribui com a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes.

“Esses alimentos possuem elevada importância nutricional para a alimentação escolar. São naturalmente ricos em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos, além de apresentarem gorduras de boa qualidade, no caso do baru e do pequi, por exemplo. A inclusão desses frutos contribui para uma alimentação mais equilibrada, diversificada e alinhada às recomendações nutricionais do PNAE”, afirma.

Segundo a subsecretária, a presença desses alimentos no ambiente escolar vai além da nutrição e fortalece a educação alimentar e nutricional. Ela destaca que o contato com os frutos nativos aproxima os estudantes da biodiversidade brasileira e da origem dos alimentos que consomem.

“Esse contato favorece a valorização dos produtos regionais, estimula escolhas alimentares mais saudáveis ao longo da vida, além de poder ser incorporado às práticas pedagógicas voltadas ao estudo do bioma Cerrado e à sua preservação”, diz.

Fernanda Melo também relata que o levantamento técnico do IPEDF incluiu visitas a experiências consolidadas em municípios de Goiás e Minas Gerais, como Cavalcante, Alto Paraíso e Arinos, onde a utilização de frutos do Cerrado na alimentação escolar já é realidade.

“Nesses locais, a inserção de frutos e derivados do Cerrado na alimentação escolar já ocorre. Em Alto Paraíso, chamadas públicas passaram a contemplar itens como castanha de baru, farinha de jatobá e polpa de pequi, com adesão expressiva de produtores tradicionais e assentados da reforma agrária”, relata.

Desafios

Apesar dos avanços, a subsecretária aponta obstáculos para a efetivação da proposta no Distrito Federal, como o desconhecimento sobre o Cerrado e sua sociobiodiversidade por parte da comunidade escolar.

“É necessária uma maior articulação entre os profissionais envolvidos, além da superação da ausência desses produtos nos editais de compras públicas e das limitações estruturais para o processamento e a conservação dos alimentos. Ainda assim, o lançamento da publicação representa um passo estratégico para o uso do poder de compra institucional como instrumento de promoção da alimentação saudável, valorização da agricultura familiar e conservação do Cerrado”, declara.