Centro no DF disseminará conhecimento sobre autismo
Coordenadora detalha ao Correio como funcionará
Por Thamiris de Azevedo
O Governo do Distrito Federal anunciou a criação do primeiro Centro de Estudos nos Transtornos do Espectro Autista da região Centro-Oeste, o Cetea, em Brasília. A coordenadora da unidade, Valdelice França, pesquisadora da Escola de Saúde Pública do DF, explicou ao Correio da Manhã como funcionará o centro, suas metas e proposta.
"O Centro de Estudos no Transtorno do Espectro Autista é uma unidade técnico-científica sem fins lucrativos, credenciado e certificado nos grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)), vinculada à Escola de Saúde Pública do Distrito Federal e mantida pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal", diz ela.
A psicóloga relata que a principal missão do instituto é gerar e disseminar conhecimentos no SUS que promova a qualificação dos profissionais de saúde e melhore a assistência ao paciente com Transtornos do Espectro Autista (TEA) no DF.
"A atuação do Ceata é voltada ao ensino, pesquisa e apoio à formulação e promoção de políticas públicas no campo do TEA", explica. "Nós ofertaremos cursos de extensão, aperfeiçoamento e pós-graduação para estudantes. Também serão oferecido cursos para a formação e aperfeiçoamento de técnicos e auxiliares, visando desenvolver instrumentos para melhoria da comunicação entre os pacientes, familiares e profissionais-pesquisadores que participem de seus estudos", continua.
"O público-alvo do Cetea é constituído não apenas por pesquisadores, mas usuários do SUS, associações de familiares da pessoa com autismo e demais interessados na temática. Acreditamos que essa participação ativa dos usuários contribua para a construção de atividades, políticas de inclusão social e programas de suporte familiar".
Cannabis
A coordenadora destaca que uma das frentes do centro será a pesquisa sobre o uso medicinal da cannabis. "Faremos pesquisas destinadas à melhoria da assistência como, por exemplo, pesquisas científicas com cannabis para uso medicinal no DF, como propõe a Lei Distrital nº 6.839 de abril de 2021", afirma.
Para a coordenadora, o novo centro também representa um avanço institucional e científico importante para o Distrito Federal. "Queremos realizar pesquisas que sejam aplicadas a realidade e necessidade dos usuários autistas do SUS", afirma. "Por isso, em sua maior parte o centro será composto por profissionais-pesquisadores do SUS. A implementação de um Centro de Estudos em Autismo representa um avanço significativo na integração entre assistência, pesquisa e ensino, e reafirma o compromisso da Secretaria de Estado de Saúde com a inovação, a inclusão e o cuidado humanizado para essa comunidade em específico, que busca por tratamentos inovadores e ampliação do acesso".