Chuva surpreende

Especialista explica que houve um fenômeno chamado 'cavado'

Por Thamiris de Azevedo

Clima é seco nesta época, mas não chega a ser de deserto

Por Thamiris de Azevedo

Nesta segunda-feira (1°), Brasília completaria 101 dias sem registro de chuva na capital mas, de forma inesperada, choveu em diversos pontos do DF durante o fim de semana. A reportagem recebeu registros de chuva em Águas Claras, Samambaia, Guará, Sobradinho, Recantos das Emas e Taguatinga.

A estiagem é característica do inverno no Distrito Federal, quando algumas pessoas chegam a dizer que existe um "clima de deserto". O Correio da Manhã conversou com duas meteorologistas para saber se é verdade ou fake: Brasília tem um clima de deserto?

Andrea Ramos diz que é fake. A especialista explica que existe, na verdade, um clima tropical de savana (AW), de acordo com a classificação de Köppen-Geiger.

"Temos essa impressão de que Brasília está dentro de uma área desértica, devido principalmente à questão da amplitude térmica. Percebem-se temperaturas elevadas durante o dia, até porque você, principalmente quando não há nebulosidade, ganha radiação e com isso aquece. E já finalzinho da tarde, noite e madrugada, esfria", esclarece.

No mesmo sentido, Tatyane Paz, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirma que Brasília não atende aos critérios para caracterizar um clima desértico.

"Clima desértico (BW) de acordo com o critério de Köppen-Geiger, é definido quando a precipitação anual em dada região não ultrapassa um valor limite, cuja fórmula depende da temperatura média anual, sendo marcada, ainda, por grande amplitude térmica diária. O DF não atende aos critérios de aridez da classificação desértica, pois sua precipitação anual é superior ao valor calculado de aproximadamente 85 mm. A classificação climática do DF se enquadra como Tropical de Savana (AW), onde as temperaturas são elevadas ao longo do ano todo, com inverno seco e bem definido", declara.

Chuva em Agosto?

A chuva surpreendeu os brasilienses. A meteorologista Andrea Ramos confirma que não havia previsão de chuva, mas esclarece que pode ocorrer com um fenômeno chamado de "cavado".

"Agosto é um mês que apresenta maior possibilidade com uma climatologia de chuvas, que pode chegar a 16.3 milímetros. Na verdade, o mês mais seco do ano é julho, e não agosto. Não estava previsto essa chuva, mas provavelmente foi em função do aumento de umidade em vários níveis da atmosfera. Esse fenômeno a gente chama de cavado, que ocorre em áreas alongadas de baixa pressão, quando proporciona a formação de nuvens e com isso chuvas ", explica.