Brasília sedia Conferência Nacional das Mulheres Indígenas

Evento reúne povos para discutir políticas públicas no centro da capital

Por Thamiris de Azevedo

Conferência terminará com marcha na quinta

A 1ª Conferência das Mulheres Indígenas do Brasil, que aconteceu no gramado do Eixo Cultura Ibero-Americano, no centro de Brasília, termina nesta quarta-feira (6). Durante três dias, cinco mil mulheres indígenas, de diferentes lugares do Brasil, se instalaram no evento. O acampamento continua até quinta-feira, quando acontece a IV Marcha das Mulheres Indígenas, com o lema “Nosso corpo, nosso território: Somos as Guardiãs do Planeta pela cura da Terra”.

Durante a conferência, foram promovidas sete etapas regionais prévias, com o objetivo de ampliar a escuta e a colaboração de mulheres indígenas de todas as regiões do país na construção de políticas públicas. Durante o encerramento, as ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e das Mulheres, Márcia Lopes, apresentarão os principais resultados.

Ministra

Ao Correio da Manhã, a ministra dos Povos Indígenas, Guajajara comemora com orgulho a realização do evento.

"Temos muito orgulho de realizar a primeira Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Esse é um momento muito significativo pois, com ele, reafirmamos o compromisso do Governo Federal com os povos indígenas no Brasil e seus direitos. De forma inédita, em nível nacional, as mulheres indígenas contam com um espaço oficial de escuta, participação ativa e construção de políticas públicas específicas, que respeitam e levam em conta as suas realidades culturais, sociais e territoriais. As mulheres indígenas são parte dessa cocriação, são milhares de participantes que estão nos ajudando a construir um futuro mais equitativo e justo", afirma.

Deputada

À reportagem, a deputada federal Célia Xakriabá (Psol), ressalta a importância da conferência como reparação histórica.

“Essa conferência é importante para reafirmar que as mulheres indígenas são as primeiras do Brasil. Fomos as primeiras a sofrer o golpe em 1500, as primeiras vítimas da colonização. Realizar uma conferência exclusiva de mulheres indígenas é promover uma reparação histórica, em um Brasil que tem raízes e cicatrizes profundas. As mulheres indígenas estão à mercê de crimes, são jovens, idosas e crianças. Os conflitos territoriais não atacam apenas a terra, mas também o nosso corpo-território. Quando não somos vítimas de balas, somos vítimas de crimes sexuais, que vêm do lugar colonizador daqueles que, até hoje, tentam roubar nossas terras. Essa conferência serve para mostrar que existimos, resistimos e que precisamos ser ouvidas”, declara.