PF indicia Vorcaro e mais 14 por fraude de R$ 12,2 bilhões no Banco Master e BRB
Investigadores apontam créditos sem comprovação, perdas de R$ 2,7 bilhões ao banco público e atribuem ao ex-controlador do Master o comando das operações
A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes financeiros nas operações entre as duas instituições. O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (28), aponta que R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito negociadas não tinham comprovação de existência.
As transações investigadas movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. Segundo a PF, Vorcaro teve participação direta e reiterada na estrutura que repassou créditos irregulares ao BRB e ocupava o centro das decisões destinadas a obter recursos para o Master.
Prejuízo de R$ 2,7 bilhões
A Polícia Federal afirma que cerca de R$ 2,7 bilhões em perdas já foram formalizados e reconhecidos. Parte das operações envolveu a Tirreno, apontada pelos investigadores como empresa de fachada utilizada na negociação de carteiras de crédito sem lastro. O montante de R$ 12,2 bilhões se refere aos ativos sob suspeita, não ao prejuízo já contabilizado.
O relatório atribui aos investigados, conforme suas condutas, suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O indiciamento é uma conclusão da investigação policial e não equivale a condenação.
PGR analisará o caso
O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá avaliar o oferecimento de denúncia. A PF também solicitou ao STF mais 60 dias para concluir perícias pendentes e apresentar relatório complementar. O ministro André Mendonça é o relator do caso.
Vorcaro permanece preso preventivamente desde março. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa também está entre os indiciados.
Defesa contesta
Os advogados de Vorcaro classificaram o indiciamento como frágil, negaram prejuízo ao BRB e sustentaram que as carteiras questionadas foram substituídas por outros ativos. A defesa afirma que não houve perícia oficial capaz de comprovar perdas e pede o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão. A defesa de Paulo Henrique Costa também contesta as acusações.