STF enfrenta dificuldades para analisar 510 GB de dados do celular de Vorcaro
Gabinetes mobilizam equipes para examinar milhares de arquivos enquanto Supremo discute validade de relatório da PF sobre mensagens envolvendo Moraes
Gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizaram equipes para analisar os dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas enfrentam dificuldades diante do volume de informações. São aproximadamente 510 GB e 32,7 mil arquivos, incluindo mensagens, áudios e registros de chamadas telefônicas.
Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes estão entre os integrantes da Corte que receberam o material. A quantidade de documentos e o número reduzido de servidores disponíveis dificultam a análise, enquanto os gabinetes também precisam preservar informações pessoais e conversas sem relação com o processo.
Disputa pelo celular de Vorcaro
O compartilhamento dos dados ocorre em meio à crise envolvendo o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação do documento, questionando os procedimentos adotados para investigar conversas envolvendo um ministro do Supremo.
A controvérsia provocou divergências sobre o acesso às informações e os limites da investigação. Agora, os gabinetes precisam identificar os registros relevantes para o julgamento sem comprometer o sigilo de terceiros.
Cristiano Zanin tem defendido cautela e uma análise restrita aos argumentos apresentados pela PGR. O posicionamento remete à Operação Spoofing, quando o atual ministro, então advogado de Lula, obteve acesso a mensagens relacionadas aos processos do presidente.
Naquela investigação, embora o material apreendido reunisse aproximadamente 7 TB, a defesa recebeu autorização para consultar apenas informações relacionadas às ações envolvendo Lula.
No caso Vorcaro, o desafio é semelhante: delimitar quais dados são pertinentes ao processo. Enquanto as equipes examinam os arquivos, o STF ainda precisa decidir sobre a validade do relatório policial e os procedimentos aplicáveis à investigação.