Dino pede investigação de elo entre Master e instituto ligado a Mendonça

Pedido de Dino a Edson Fachin afirma que Mendonça suspendeu caso envolvendo cemitérios de São Paulo um dia após reunião com Vorcaro na sede do Instituto Iter

Por Petrônio Viana

Dino pediu abertura de investigação contra instituto ligado a Mendonça

O ministro Flávio Dino pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a abertura de investigação para apurar o suposto elo entre o Banco Master e o Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, envolvendo contratos com a Prefeitura de São Paulo. De acordo com Dino, é necessário esclarecer possíveis irregularidades na concessão dos serviços cemiteriais e eventual vínculo entre a Cortel, a empresa concessionária, e o Banco Master.

A ação se refere à discussão sobre regras para o funcionamento de cemitérios privados no estado. Flávio Dino citou a atuação de Mendonça em processo sobre o tema, no qual o ministro ficou alinhado aos interesses das empresas votando contra uma decisão monocrática de Dino que afetava os cemitérios privados.

Flávio Dino apontou ainda que o irmão de Mendonça, Alexandre de Almeida Mendonça, trabalha na SP Regula, agência responsável pela regulação de serviços públicos de São Paulo, justamente na área funerária e cemiterial.

No pedido de abertura de investigação, Flávio Dino afirma que o encontro entre Mendonça e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aconteceu na sede do Instituto Iter, nodia 14 de março. No dia seguinte, 15 de março, Mendonça suspendeu o julgamento sobre a “privatização” dos cemitérios.

O caso foi devolvido por Mendonça para julgamento no dia 4 de abril. Ele abriu divergência “votando, portanto, de acordo com os pleitos dos cemitérios privados”, afirmou Dino.

Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que a concessão dos serviços funerários, a contratação do Instituto Iter e do servidor Alexandre Mendonça na SP Regula foram regulares, e que a mudança de cargo de Mendonça, em junho, não tem “nenhum elemento que caracterize uma promoção”.

No texto, a prefeitura também lamenta “que contratações regulares e realizadas dentro da legalidade estejam sendo utilizadas para construir narrativas políticas sem respaldo nos fatos.”