Caso de irmãos desaparecidos no Maranhão chega à Interpol após operação nos EUA

Mãe viu semelhança entre Allan e uma criança localizada na Flórida e forneceu material genético. Polícia Federal afirma que não há brasileiros confirmados entre os 163 resgatados do tráfico de pessoas

Por Bianca Lobianco

Caso de irmãos desaparecidos no Maranhão chega à Interpol após operação de resgate de 163 crianças em estado de vulnerabilidade nos EUA

O desaparecimento de Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4, em Bacabal, no Maranhão, ganhou uma nova frente após uma operação policial localizar 163 crianças e adolescentes desaparecidos nos Estados Unidos e em outros países.

A Operação Statewide Shield foi realizada durante cinco dias pelas autoridades da Flórida com o objetivo de identificar e localizar menores de 18 anos registrados como desaparecidos. A ação encontrou crianças com idades entre 2 meses e 17 anos. Parte delas havia sido submetida a situações de abuso, negligência, exploração ou outras atividades criminosas. A operação também resultou na localização de crianças em seis estados americanos, um território dos Estados Unidos e 12 países.

O caso chamou a atenção de Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Allan, depois que ela identificou semelhanças entre o filho e uma das crianças associadas à operação. A família passou então a buscar uma verificação oficial para saber se existe alguma relação entre os casos.

Clarice procurou a Polícia Federal acompanhada da advogada da família e solicitou a inclusão dos dois filhos na Difusão Amarela da Interpol. O mecanismo permite compartilhar internacionalmente informações sobre pessoas desaparecidas e ampliar as buscas para outros países. A PF confirmou que recebeu o pedido na quarta-feira (9) e informou que ainda analisará a solicitação antes de eventual encaminhamento à Interpol.

Também foi coletado material genético da mãe na Superintendência da Polícia Federal em São Luís. Segundo a defesa da família, o objetivo é permitir uma comparação com uma criança localizada nos Estados Unidos que teria características semelhantes às de Allan.

Até o momento, não há confirmação de que Allan ou Ágatha estejam entre as 163 crianças localizadas na operação. A hipótese surgiu a partir da semelhança observada pela mãe e ainda depende de verificação das autoridades.

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro deste ano na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Eles estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado vivo três dias depois. As buscas pelos irmãos já duram mais de oito meses.

A possível inclusão na Difusão Amarela não significa que a Interpol tenha localizado as crianças ou que existam provas de que elas tenham saído do Brasil. O recurso serve para ampliar internacionalmente a busca por Ágatha e Allan, enquanto as autoridades tentam esclarecer se a pista surgida após a operação americana tem alguma relação com o desaparecimento no Maranhão.