Salário mínimo de 2027 pode chegar a R$ 1.741 e elevar gastos em R$ 49,6 bilhões

Valor previsto pelo governo representa aumento de R$ 120 sobre o piso de 2026 e ainda depende da inflação e da aprovação do Orçamento pelo Congresso

Por Ana Laura Gonzalez

Dario Durigan

O salário mínimo de 2027 poderá chegar a R$ 1.741, segundo a previsão que será apresentada pelo governo federal no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). O valor foi informado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e representa um aumento de R$ 120 em relação ao piso nacional de 2026, atualmente em R$ 1.621.

Se confirmado, o reajuste será de aproximadamente 7,4%, considerando o aumento nominal. O ganho real, ou seja, a correção acima da inflação, está estimado em 2,4%.

A previsão está dentro das regras do arcabouço fiscal, que estabelece limite de até 2,5% para o crescimento real das despesas.

Aumento do salário mínimo terá impacto nas contas públicas

A elevação do piso nacional também deverá aumentar significativamente as despesas do governo. Segundo as projeções oficiais, o reajuste previsto poderá gerar um impacto de aproximadamente R$ 49,6 bilhões nas despesas públicas.

A estimativa consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo governo ao Congresso Nacional em abril.

De acordo com o documento, cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo representa um aumento de aproximadamente R$ 413,2 milhões nas despesas do governo.

Com a previsão de acréscimo de R$ 120 no piso nacional, o impacto calculado chega aos R$ 49,6 bilhões.

INSS e seguro-desemprego terão impacto

O aumento do salário mínimo afeta diretamente diversos pagamentos realizados pelo governo federal.

Entre eles estão benefícios previdenciários pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o seguro-desemprego e o abono salarial.

Isso acontece porque determinados benefícios não podem ser inferiores ao salário mínimo. Dessa forma, quando o piso nacional aumenta, o governo também precisa elevar os valores destinados a esses pagamentos.

O impacto final nas contas públicas, entretanto, dependerá do valor definitivo do salário mínimo e do número de benefícios vinculados ao piso.

Salário mínimo de R$ 1.741 ainda não é definitivo

Apesar de ter sido incluído nas projeções do governo, o valor de R$ 1.741 ainda poderá mudar.

O cálculo definitivo do salário mínimo considera dois indicadores: o INPC acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento da economia registrado dois anos antes.

Como o índice de inflação utilizado no cálculo ainda não foi divulgado, o valor final do piso nacional só poderá ser confirmado posteriormente.

O INPC será divulgado pelo IBGE em dezembro, quando o governo terá os dados necessários para concluir a fórmula de reajuste.

PLOA de 2027 ainda será analisado pelo Congresso

Além da definição do índice de inflação, o novo salário mínimo depende da tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027.

O governo federal tem até 31 de agosto para enviar a proposta ao Congresso Nacional. Depois, o texto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento e seguirá para votação de deputados e senadores.

Por enquanto, portanto, os R$ 1.741 representam uma estimativa utilizada pelo governo na elaboração do Orçamento de 2027.

O valor definitivo dependerá dos dados de inflação, do desempenho da economia e da aprovação da proposta orçamentária pelo Congresso.