Flávio se irrita ao ser cobrado por contrato de ‘Dark Horse’

Candidato do PL havia prometido divulgar informações sobre acordo com Daniel Vorcaro, mas agora afirma que prestação de contas cabe à produtora

Por Redação

Flávio Bolsonaro

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, se irritou nesta segunda-feira (24) ao ser questionado pela imprensa sobre a promessa de apresentar o contrato relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A cobrança ocorreu durante um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em maio, após a divulgação de áudios em que Flávio aparece pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para a produção do longa, o senador havia afirmado que estava disposto a prestar esclarecimentos sobre os recursos e o contrato. Mais de três meses depois, porém, ele afirma que a prestação de contas já foi realizada pela produtora responsável pelo filme.

Questionado sobre a ausência de divulgação do contrato firmado com Vorcaro, Flávio negou ter recuado da promessa e disse que os dados já foram apresentados no âmbito das investigações conduzidas em São Paulo. O candidato também afirmou que não seria sua responsabilidade prestar contas sobre uma produção privada e direcionou as cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio afirma que produtora já prestou contas

Segundo o candidato, a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção de “Dark Horse”, teria apresentado os dados financeiros do filme durante a investigação em andamento em São Paulo.

Flávio citou reportagens que tiveram acesso a documentos anexados ao inquérito e afirmou que a produtora teria gasto mais do que o valor recebido de Vorcaro.

A declaração, entretanto, não representa a divulgação pública do contrato que o próprio senador havia se comprometido a apresentar. A imprensa segue sem acesso integral ao acordo que teria formalizado o financiamento relacionado ao banqueiro.

A campanha de Flávio passou a sustentar que o candidato não teria ingerência sobre a contabilidade da produção, uma vez que a obra pertence à produtora Go Up Entertainment.

Perícia aponta custo de R$ 75,1 milhões

Um documento produzido a pedido da defesa de Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, aponta que o filme teria custado aproximadamente R$ 75,1 milhões.

A perícia privada foi anexada a uma investigação conduzida em São Paulo. Segundo os dados apresentados no documento, cerca de R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil.

O levantamento estima o custo da produção em aproximadamente US$ 13,39 milhões, embora o filme tenha sido gravado no Brasil. A perícia, porém, não apresentou no próprio documento recibos ou notas fiscais que comprovassem individualmente as despesas nem detalhou a origem de todo o dinheiro utilizado na produção.

Investigação apura possível uso de recursos públicos

A produtora do filme está no centro de uma investigação que também envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada a Karina da Gama.

O acordo previa a instalação de pontos de internet sem fio em regiões periféricas da capital paulista. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam a possibilidade de recursos vinculados ao contrato terem sido utilizados na produção do longa.

A investigação também envolve documentos apresentados na prestação de contas do contrato municipal e busca esclarecer a origem dos recursos utilizados pela produtora.

O caso ganhou uma nova dimensão nesta semana após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizar o acesso da Polícia Federal a provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre a produtora.

Daniel Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao filme

As negociações envolvendo “Dark Horse” também colocaram Daniel Vorcaro no centro do caso.

O banqueiro teria destinado R$ 61 milhões à produção por meio de um fundo nos Estados Unidos. Antes disso, segundo informações divulgadas na imprensa, Flávio Bolsonaro teria negociado um aporte de aproximadamente US$ 24 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.

A produtora, por sua vez, já havia afirmado que o filme recebeu financiamento privado e negado o uso de recursos públicos na produção. Uma perícia particular contratada pela defesa também apontou que não teria identificado entradas de recursos públicos no projeto.

Produtora afirma que Vorcaro atuou como intermediador

Em declarações anteriores, Karina da Gama afirmou que Vorcaro participou do financiamento do projeto como intermediador de recursos e não como investidor direto.

Segundo a empresária, quando o banqueiro foi preso, a equipe responsável pelo filme precisou buscar novos investidores para manter a produção.

A obra permanece em fase de pós-produção, com trabalhos de efeitos especiais e sonorização. A empresária havia estimado anteriormente o orçamento realizado em cerca de US$ 13 milhões.

Flávio reage a perguntas sobre transparência

Ao ser pressionado sobre a ausência do contrato e sobre a promessa de prestar contas, Flávio elevou o tom e afirmou que os jornalistas deveriam concentrar as cobranças em outros assuntos.

O candidato argumentou que o país enfrenta problemas econômicos e sociais mais urgentes e classificou a relação envolvendo o filme como uma questão privada.

A declaração ocorreu durante agenda na Fiesp, em São Paulo, onde Flávio também criticou o governo Lula.

A cobrança sobre “Dark Horse”, entretanto, permanece no centro da campanha do candidato, especialmente diante das investigações sobre a origem dos recursos destinados à produção e do compartilhamento de provas com a Polícia Federal.

Os principais valores envolvidos no caso

  • R$ 75,1 milhões: valor de produção apontado em perícia particular;
  • R$ 61 milhões: valor que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme;
  • R$ 134 milhões: valor aproximado que Flávio teria negociado para financiar o projeto;
  • R$ 108 milhões: valor do contrato entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo, atualmente investigado;
  • US$ 13,39 milhões: custo estimado do filme segundo a perícia apresentada pela defesa.

As investigações continuam, e os valores e circunstâncias relacionados ao financiamento de “Dark Horse” ainda são objeto de apuração. A existência de investigações não significa, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade dos envolvidos.