PF mira investimento de R$ 1,2 milhão do INSS municipal em Banco Master

Operação Presciência investiga possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários de Campo Grande; vice-prefeita é alvo de busca

Por Redação

Vice-prefeita de Campo Grande Camilla Nascimento

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (25) a Operação Presciência, para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários do Regime Próprio de Previdência Social de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em carteiras do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o caso envolve um investimento de R$ 1,2 milhão realizado pelo Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG).

A operação foi autorizada pelo Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Ao todo, os policiais cumpriram seis mandados de busca e apreensão, incluindo diligências em órgãos públicos municipais e nas residências de servidores investigados.

Entre os locais alvo da operação estão o próprio IMPCG e a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Campo Grande. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Vice-prefeita de Campo Grande é alvo da operação

Um dos alvos da Operação Presciência é a atual vice-prefeita de Campo Grande, Camilla Nascimento, que ocupou anteriormente o cargo de diretora do Instituto Municipal de Previdência.

A investigação busca esclarecer a participação de servidores no processo que levou à aplicação dos recursos previdenciários nas carteiras do Banco Master.

Até o momento, a investigação apura possíveis irregularidades e não significa, por si só, que os alvos tenham cometido os crimes investigados.

PF investiga aplicação de recursos previdenciários

Segundo a Polícia Federal, a apuração teve origem em um relatório produzido pela Coordenação de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios do Ministério da Previdência Social.

O documento analisou operações envolvendo letras financeiras e apontou possíveis problemas no processo que levou o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande a investir R$ 1,2 milhão em carteiras do Banco Master.

A partir das informações reunidas no relatório, a PF passou a investigar se os procedimentos técnicos e administrativos necessários para a realização do investimento foram devidamente observados.

Servidores podem ter deixado de cumprir procedimentos

De acordo com a Polícia Federal, existem indícios de que servidores envolvidos na decisão de investimento podem ter deixado de verificar procedimentos que deveriam ter sido adotados antes da aplicação dos recursos.

A suspeita envolve possíveis condutas por ação ou omissão. Na avaliação dos investigadores, eventuais falhas teriam exposto o patrimônio do instituto de previdência municipal a riscos.

A investigação pretende identificar como a decisão foi tomada, quais procedimentos foram realizados e se houve interferência indevida ou eventual vantagem relacionada à aplicação dos recursos.

Quais crimes são investigados pela PF

A Operação Presciência apura, segundo a Polícia Federal, a possível prática de três crimes:

  • Gestão temerária;
  • Corrupção passiva;
  • Corrupção ativa.

As diligências realizadas nesta terça-feira têm o objetivo de reunir documentos, dados e outros elementos que possam esclarecer as circunstâncias da aplicação dos recursos previdenciários.

Justiça autorizou quebra de sigilos

Além das buscas e apreensões, a Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

As medidas devem permitir aos investigadores aprofundar a análise das movimentações financeiras relacionadas aos envolvidos e verificar eventual conexão entre as decisões administrativas e operações financeiras.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Federal, que deverá analisar o material recolhido durante a operação para definir os próximos passos da apuração.