Nelson Wilians deixa chefia de escritório após operação da PF
Decisão ocorre 24 horas após agentes cumprirem 17 mandados de busca e apreensão. Justiça determinou bloqueio de R$ 1 bilhão em bens vinculados ao esquema com empresas de apostas
Um dia após figurar no centro de uma das maiores ofensivas da Polícia Federal (PF) contra crimes financeiros, o advogado Nelson Wilians anunciou, nesta sexta-feira, o seu afastamento por tempo indeterminado da Nelson Wilians Advogados (NWADV), uma das maiores bancas do país.
A saída temporária foi comunicada através de uma nota oficial publicada nas redes sociais do escritório. De acordo com o comunicado, a gestão da estrutura — que mantém mais de 1.500 colaboradores e atende 15 mil clientes — será transferida para um comitê executivo. O colegiado terá a missão de manter a governança institucional, o relacionamento com parceiros e a continuidade dos serviços prestados.
O esquema das "bets" e o bloqueio bilionário
O afastamento de Wilians é um desdobramento direto da operação deflagrada ontem pela PF, que visou desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do ramo de apostas esportivas, as chamadas "bets".
A investigação aponta para a Pixbet como um dos focos centrais. Segundo a Polícia Federal, o fluxo financeiro proveniente das apostas era desviado para o exterior através de empresas de compensação, sendo aportado em uma fachada sediada em Curaçao, no Caribe. Em uma medida contundente, a Justiça autorizou o sequestro de bens e valores que, somados, atingem a cifra de R$ 1 bilhão.
Defesa e colaboração
Em nota, o escritório NWADV enfatizou que o advogado dedicará este período ao "cuidado de sua família" e ao acompanhamento direto das investigações em curso. A nota ressalta que Wilians permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
"A NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a plena colaboração com as autoridades competentes", destaca o texto institucional. O escritório reforçou ainda que, apesar da crise instalada, mantém o foco na confiança dos milhares de clientes que dependem da estrutura jurídica da firma em todo o território nacional.
A Polícia Federal não divulgou novos detalhes sobre a próxima fase da operação, mas o caso coloca em xeque a governança de grandes bancas de advocacia brasileiras que se tornaram alvo de investigações sobre movimentações financeiras atípicas.