PF faz busca por armas na casa de Bolsonaro e família alega 'tortura'
Operação autorizada por Alexandre de Moraes durou cerca de uma hora e meia em Brasília. Flávio Bolsonaro reage nos EUA e acusa STF de criar 'cortina de fumaça'
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira (8), dentro da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), localizada na capital federal. O principal objetivo dos agentes federais era localizar e apreender armas de fogo, estoques de munições e os respectivos certificados de registro do ex-mandatário. A ofensiva foi inicialmente revelada pela assessoria jurídica de Bolsonaro e, na sequência, validada por fontes ligadas às investigações.
A permanência das equipes policiais no imóvel estendeu-se por aproximadamente 90 minutos. Conforme os dados compartilhados pela defesa técnica do político do PL, a ordem judicial que respaldou a entrada na propriedade foi assinada de forma monocrática pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Filhos de ex-presidente criticam ação da PF
A movimentação policial gerou forte indignação no núcleo familiar do ex-chefe do Executivo. O vereador Carlos Bolsonaro utilizou canais públicos para manifestar repúdio ao episódio, classificando o momento como um processo contínuo de opressão. "Ninguém aguenta mais tanta perseguição, injustiça e tortura", desabafou.
Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, usou uma transmissão ao vivo na internet para subir o tom contra o STF. O parlamentar relatou momentos de tensão durante o cumprimento dos mandados, mencionando que sua irmã mais nova, ainda adolescente, precisou ser retirada de seus aposentos para que os policiais inspecionassem possíveis esconderijos de armamento. O senador descreveu a abordagem como um grave constrangimento familiar.
Flávio Bolsonaro aponta motivação política direto dos EUA
Atualmente cumprindo agenda oficial em território norte-americano, Flávio Bolsonaro associou a investida da Polícia Federal a uma manobra para esvaziar suas costuras políticas internacionais. O senador está nos Estados Unidos em reuniões com a gestão de Donald Trump, tentando negociar a isenção de taxas alfandegárias severas contra produtos brasileiros.
"Há uma clara intenção de fracionar a cobertura jornalística do dia. Trata-se de uma tentativa nítida de criar uma cortina de fumaça justamente no instante em que estou aqui fora trabalhando pelos interesses do Brasil", protestou o parlamentar.
Defesa alega transparência prévia ao Supremo
Para além das críticas políticas, Flávio Bolsonaro assegurou que o aparato do STF já dispunha de todos os dados referentes aos objetos procurados na residência de Brasília. Segundo ele, os advogados de Jair Bolsonaro haviam se antecipado à ação policial.
"Toda a situação envolvendo as armas já vinha sendo reportada formalmente pelos nossos defensores desde a última sexta-feira. Agimos com total transparência, deixando tudo devidamente documentado e informado ao ministro Alexandre de Moraes antes de hoje", finalizou o senador.