Sanção dos EUA favoreceu fuga de empresário, diz diretor-geral da PF

Segundo Andrei Rodrigues, operação contra o empresário Victor Shimada foi antecipada devido ao anúncio de sanções pelo governo dos EUA

Por Petrônio Viana

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, avalia que sanção dos EUA prejudicou ação da PF contra envlvidos com o PCC

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que as sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos favoreceram a fuga do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), oriundo do tráfico internacional de drogas.

Shimada foi alvo da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta, e é considerado foragido da Justiça. De acordo com o diretor-geral da PF, a ação foi antecipada em decorrência do anúncio das sanções dos EUA, na quarta-feira (1º).

"[A sanção dos EUA] alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", afirmou Rodrigues, na sede da PF em Brasília.

“É importante salientar que esse cidadão citado [Shimada] já foi preso pela Justiça Federal numa operação nossa iniciada em 2024 e foi condenado pela Justiça Federal em 2025, fruto dessa operação”, disse o diretor-geral da PF.

Shimada foi sancionado pelos EUA por supostamente comandar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.

De acordo com o governo dos EUA, o brasileiro teria lavado US$ 30 milhões, cerca de R$ 156 milhões, em dinheiro ilegal gerado em cidades dos EUA e transferido de volta ao PCC, no Brasil, em forma de criptomoedas.

R$ 10,4 bilhões bloqueados

Nesta sexta-feira, a 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo determinou o bloqueio de R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos dos envolvidos no esquema. Também foram expedidos 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de São Paulo (SP), Santos (SP), Praia Grande (SP) e Santana de Parnaíba (SP).

Parente de Shimada e também sancionada pelos EUA, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária do empresário, foi presa pela PF. Ela é apontada como responsável pela coleta de grandes quantias de dinheiro e serviços logísticos para o esquema de lavagem de dinheiro. Shimada seria o elo do grupo com lideranças do PCC, segundo a PF.