Lula fala em reciprocidade após ordem dos EUA contra delegado
Governo brasileiro aguarda esclarecimentos e contesta acusação de irregularidades
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro pode adotar medidas de reciprocidade após a decisão dos Estados Unidos de determinar a saída de um delegado da Polícia Federal do país. A declaração foi dada a jornalistas em frente a um hotel em Hannover, na Alemanha.
Segundo Lula, ainda não há informações completas sobre o caso, mas, caso seja confirmado algum abuso por parte das autoridades americanas, o Brasil poderá reagir. O presidente também criticou o que classificou como ingerência e abuso de autoridade por parte de agentes norte-americanos em relação ao país.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as informações divulgadas até o momento carecem de fundamento e que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos oficiais das autoridades dos Estados Unidos. Ele ressaltou que o delegado atua em cooperação com órgãos americanos e que sua função era de conhecimento das partes envolvidas.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o agente está há mais de dois anos nos Estados Unidos desempenhando suas atividades.
Na segunda-feira (20), o governo dos Estados Unidos determinou que o delegado brasileiro deixe o território americano. A decisão foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado.
Em publicação nas redes sociais, sem citar nomes, o governo americano afirmou que uma autoridade brasileira teria tentado contornar pedidos formais de extradição para promover perseguição política em território norte-americano. A nota diz que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração do país com esse objetivo.
A TV Globo informou, com base em confirmação da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que o delegado citado é Marcelo Ivo de Carvalho. Ele atuava em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), em Miami.
Carvalho foi designado para a função em março de 2023, com missão inicial de dois anos. Entre suas atribuições estavam a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira em território americano. Em março de 2025, uma portaria prorrogou sua permanência até agosto de 2026.
O Itamaraty informou que não irá comentar o caso no momento. Já a Polícia Federal declarou que não foi formalmente notificada sobre a decisão das autoridades norte-americanas.