Ex-presidente dos Correios depõe à PF e MPF apura possível fraude em eleição sindical

Fabiano Silva dos Santos foi ouvido em investigação sobre procedimento adotado pela estatal durante eleição do Sindifisco; procurador aponta indícios de corrupção, prevaricação e falsidade ideológica

Por Bianca Lobianco

Ex-presidente dos Correios Fabiano Silva dos Santos depões à Polícia Federal. Procuradoria aponta indícios de corrupção, prevaricação e falsidade ideológica

O ex-presidente dos Correios Fabiano Silva dos Santos foi ouvido pela Polícia Federal em uma investigação que apura uma possível interferência da estatal na eleição de 2024 do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). O depoimento ocorreu em 9 de julho.

A investigação foi aberta após uma denúncia apresentada por auditores fiscais que questionaram um procedimento adotado pelos Correios para o recebimento de cartas utilizadas na votação sindical.

O caso chegou ao Ministério Público Federal, que decidiu aprofundar a apuração. Em despacho, o procurador da República Athayde Ribeiro Costa apontou indícios mínimos de possíveis crimes de corrupção, prevaricação e falsidade ideológica e determinou novas diligências.

PF investiga procedimento dos Correios

O episódio envolve cartas enviadas por eleitores de outras cidades que chegaram a Brasília sem o carimbo de origem. Segundo os documentos que embasam a investigação, os Correios colocaram um novo carimbo de recebimento nas correspondências.

O procedimento teria sido solicitado pelo então presidente do Sindifisco, Isac Falcão, à direção dos Correios em setembro de 2024. A autorização partiu da área de operações da estatal.

A suspeita investigada é que a medida pudesse conferir aparência de regularidade a correspondências que não apresentavam o carimbo de postagem exigido pelo regulamento eleitoral do sindicato.

A comissão eleitoral do Sindifisco identificou 117 cartas nessa situação e decidiu anulá-las.

 Investigação já passou por outras instâncias

A disputa sobre a eleição sindical não começou com o atual inquérito da PF. A acusação já foi apresentada anteriormente a diferentes órgãos, incluindo Polícia Civil, Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho, Justiça Federal e Justiça comum.

Segundo o Sindifisco, essas iniciativas não resultaram no reconhecimento de fraude ou na anulação da eleição. A Polícia Civil chegou a arquivar uma investigação sobre o episódio.

O novo inquérito, porém, busca avaliar especificamente se houve uma possível ingerência ilícita de dirigentes sindicais dentro dos Correios e se agentes públicos ou particulares praticaram irregularidades.

Além de Fabiano, a PF deverá ouvir outros envolvidos e analisar documentos de investigações e processos relacionados ao caso.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Fabiano Silva dos Santos nega qualquer irregularidade. O advogado Michel Saliba afirma que o procedimento adotado pelos Correios ocorreu durante uma greve da estatal e teve como objetivo evitar que atrasos na entrega prejudicassem os votos.

O Sindifisco também rejeita a acusação de fraude. A entidade sustenta que o tratamento dado às correspondências não beneficiou nenhuma chapa e que o episódio já foi analisado em diferentes instâncias.

Os Correios informaram que ainda não haviam sido oficialmente notificados sobre a investigação. A estatal afirmou que adotará as medidas administrativas e legais cabíveis caso seja formalmente comunicada.