Exames mais modernos identificam risco vascular
Novas recomendações ampliam o olhar sobre infartos e AVCs
Por muitos anos, a avaliação do colesterol esteve centrada em números conhecidos pela população, como colesterol total, LDL e HDL. No entanto, os avanços da cardiologia têm mostrado que esses indicadores nem sempre contam toda a história. Com novas evidências científicas e recomendações internacionais, marcadores como a lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), e a apolipoproteína B (ApoB) vêm ganhando espaço por permitirem uma análise mais precisa do risco cardiovascular.
O tema ganhou ainda mais relevância após sociedades médicas internacionais reforçarem a recomendação de que a dosagem da lipoproteína(a) seja realizada pelo menos uma vez ao longo da vida, principalmente em pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou que apresentam risco elevado de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A mudança acompanha um cenário preocupante. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no país, respondendo por centenas de milhares de óbitos todos os anos. Para especialistas, identificar precocemente quem apresenta maior predisposição é uma das estratégias mais eficazes para reduzir esses números.
De acordo com o cardiologista Daniel Petlik, a medicina caminha para uma abordagem mais personalizada, em que apenas os exames tradicionais podem não ser suficientes para avaliar o risco de cada paciente.
"Nem sempre uma pessoa que apresenta níveis adequados de colesterol LDL está completamente protegida. Existem fatores genéticos e metabólicos que aumentam o risco cardiovascular e que não aparecem na avaliação convencional. Os novos marcadores ajudam justamente a identificar esses pacientes."
Entre eles está a lipoproteína(a), uma partícula semelhante ao LDL, mas cuja concentração é determinada quase exclusivamente pela genética.
"A lipoproteína(a) praticamente não sofre influência da alimentação ou da prática de atividade física. Quando está elevada, ela favorece o desenvolvimento da aterosclerose e aumenta o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares, mesmo em indivíduos que mantêm um estilo de vida saudável."