Temperatura baixa exige atenção da cabeça aos pés

Médicos alertam para problemas que vão além dos respiratórios

Por Da Redação

Com a chegada do inverno, é comum que os cuidados com a saúde se concentrem apenas na prevenção de gripes e resfriados. Porém, as baixas temperaturas afetam diferentes sistemas do organismo e podem impactar desde a saúde respiratória até a circulação sanguínea, a pele, os cabelos e a saúde íntima feminina.

Segundo especialistas, o frio provoca mudanças fisiológicas importantes, além de alterar hábitos cotidianos. Menor consumo de água, redução da atividade física, banhos mais quentes e permanência prolongada em ambientes fechados estão entre os fatores que ajudam a explicar o aumento de diversos problemas de saúde nesta época do ano.

Entre os impactos mais conhecidos do inverno está o agravamento das doenças respiratórias. Rinite, asma, sinusite e infecções virais costumam se tornar mais frequentes devido à combinação entre clima seco, circulação de vírus e ambientes pouco ventilados.

A alergista e imunologista Dra. Brianna Nicoletti explica que o período favorece a exposição aos principais gatilhos das crises respiratórias.

"O inverno costuma ser uma estação crítica para quem tem rinite alérgica e asma porque há uma combinação de fatores que aumentam a exposição aos gatilhos. O tempo seco resseca as vias respiratórias, os ambientes ficam menos ventilados e ocorre maior contato com poeira doméstica, ácaros e partículas acumuladas em roupas, tapetes e cobertores."

A otorrinolaringologista Dra. Renata Mori acrescenta que o aumento da circulação viral também contribui para a sobrecarga do sistema respiratório.

"No inverno observamos aumento importante das infecções respiratórias porque existe maior circulação viral associada à permanência prolongada em ambientes fechados e pouco ventilados. Isso facilita a transmissão de vírus e aumenta episódios de inflamação das vias aéreas superiores."

Embora menos conhecido, o impacto do frio sobre a saúde cardiovascular merece atenção especial, principalmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico de doenças cardíacas.

Segundo o cardiologista Dr. Vitor de Holanda, o organismo reage ao frio promovendo a contração dos vasos sanguíneos para preservar o calor corporal.

"No frio, o organismo promove vasoconstrição para preservar a temperatura corporal. Isso pode elevar a pressão arterial e aumentar a carga de trabalho do coração, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares ou doença cardíaca estabelecida."