Cenário do roubo de cargas no Brasil

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Os perigos nas estradas brasileiras ultrapassam os limites das pistas e colidem diretamente com os departamentos financeiros e logísticos de empresas que dependem das rodovias para transportar bens e produtos. Dados fornecidos pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam que 75% da circulação de todas as mercadorias pelo Brasil é feita através do modal rodoviário. De acordo com o órgão, o país tem a 4ª maior rede de estradas do mundo, com mais de 1,7 milhões de quilômetros de vias, o que faz do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) tão importante para a economia brasileira a ponto de virar sigla oficial, mas também é motivo de preocupação.

O Sudeste é a região do Brasil que registra os maiores índices de roubos, furtos, saques e sequestros de produtos em trânsito. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo são os Estados mais afetados pelas ações criminosas; os números de 2023 referentes à subtração de cargas nas rodovias mais visadas pelos infratores, a BR-116, a BR-381 e a BR-101 chegaram, respectivamente, a 968 nos limites de SP, 2.239 em MG, e 269 na BR-101, no RJ, conforme levantamento da PRF.

James Theodoro, especialista em gerenciamento de riscos para Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) e CEO da Korsa Riscos e Seguros, explica que, além da posição geográfica favorável, o Sudeste — fronteiriço com outras 4 regiões do país: Centro-Oeste, Nordeste e Sul — está no eixo das ameaças à movimentação de mercadorias porque é grande produtor e consumidor de bens, caminho perfeito para a tática das quadrilhas em ganhar tempo e desviar a atenção das autoridades responsáveis pelo patrulhamento das vias:

"São Paulo é o maior produtor de mercadorias e também é o maior consumidor do Brasil, seguido do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Quase 80% dos roubos de cargas acontecem nesses estados, há quadrilhas especializadas, extremamente organizadas que atuam sob o esquema "rouba aqui, entrega logo ali", então há uma logística bem estruturada".

O especialista da Korsa Riscos e Seguros enfatiza que é igualmente fundamental observar as outras regiões do país e dá exemplos de como o sistema de crimes funciona em outras áreas do Brasil:

"No Centro-Oeste e no Sul têm ocorrido aumento de roubos, principalmente de grãos, de ureia, de soja, ou seja, commodities ligadas ao agronegócio. Mais uma vez, vemos a lógica do roubo de cargas".

Contratar seguros faz parte das boas práticas de manutenção dos negócios tanto para as entidades donas de mercadorias, quanto para as transportadoras. A Lei de Seguro de Transporte Nacional (14.599/23), por exemplo, é uma medida que reforça o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e obriga embarcadores a aderir à cobertura contra danos e riscos.