Em pleno São João, Brasília traz o samba fora de época
Após quase uma década, escolas de samba do DF voltam a desfilar
Por Gabriela Gallo
Junho é conhecido como mês de festas juninas, com muito forró, quadrilha, roupa xadrez e comidas típica. Mas neste ano, junho também é mês de carnaval e muito samba no Distrito Federal. De sexta-feira (23) até domingo (25), as escolas de samba do DF vão voltar a desfilar depois de nove anos paradas. A festa vai acontecer no Eixo Cultural Ibero Americano, em frente à Torre de TV, à partir das 15h30 de sexta. O evento é promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec), e a entrada é gratuita.
Treze escolas de samba vão se apresentar. Destas, seis são do grupo especial, com dois carros alegóricos, e sete são de acesso, com um carro alegórico e um carro menor.
Mas afinal, por que um desfile de escolas de samba em junho? Dá para juntar samba com quentão? Em entrevista ao Correio da Manhã, o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Bartolomeu Rodrigues, explicou que não se trata de um carnaval fora de época, mas de uma "festa diferenciada". "Pra que desfilar no carnaval e competir com Rio de Janeiro e São Paulo? "Quem disse que é Carnaval fora de época? E quem disse que tem época para sonhar? O samba não tem época, o samba é de qualquer tempo", afirmou o secretário de cultura.
Ele ainda celebrou que o retorno das escolas de samba do DF para a passarela. "Nós [da secretaria] passamos dois anos fazendo um trabalho silencioso. Reconstruindo. A gente tinha que fazer um momento especial para elas. Em desfiles de escola de samba, se você mexe com tudo. Você tem coreografia, balé, música de primeira qualidade, enredo, passista, dança. São multilinguagens culturais representadas ao mesmo tempo", enfatizou Rodrigues.
Ele ainda reforçou que "ao contrário dos blocos, as escolas de samba não são manifestações espontâneas. Elas são instituições organizadas que trabalham ao longo do ano, que são uma cadeia produtiva muito ampla".
O secretário também enfatizou que esta época do ano foi escolhida porque é período de seca na capital federal. Em Brasília, o período de chuva cai durante os blocos de carnaval em fevereiro, então a época de seca é positiva para não atrapalhar as apresentações do evento. "É uma época de um pouquinho de frio, mas não tem problema nenhum porque o corpo aquece na hora que você está dançando", brincou o secretário.
O retorno dos Desfiles
Em conversa com o Correio da Manhã, o presidente da Escola de Samba Gruvipi de Vicente Pires, Luciano Ibiapina, disse que o grupo está se esforçando ao máximo para conquistar o primeiro lugar. "Nós vamos entrar com muita garra para gente correr atrás desse título", disse Luciano.
E o presidente da escola de samba Unidos do Cruzeiro (Aruc), tradicional comunidade do Distrito Federal, Rafael Souza, comentou que "muitas coisas se perderam" nesses 9 anos sem desfile. No entanto, ao Correio da Manhã, ele contou que as expectativas são as maiores possíveis. "A gente está quase recomeçando o processo de novo mas a Aruc passou por um processo de renovação com responsabilidade. Novas pessoas chegaram, mas sempre mantendo os membros mais antigos participando, dando conselhos, essa junção mesmo de passado e presente", disse Rafael.
Minha carne é de carnaval
Rafael reforçou que "já se foi o tempo em que Brasília era só política". "O Brasil precisa ver o lado vivo, o lado cultural de Brasília. O carnaval é uma das maiores expressões da nossa cidade, a gente já tem esse envolvimento de muito tempo. Demonstra o lado vivo culturalmente de uma cidade que pulsa, entre outas manifestações populares, o carnaval", disse o presidente da Aruc.
"O brasiliense tem carne e tem sangue na veia de carnaval. E isso a gente vem mostrando nessa luta de fazer esse desfile acontecer neste ano de 2023", disse o presidente da Gruvipi.
"Brasília é uma mistura de todos os ritmos. Todas as culturas, todas as linguagens culturais cabem nesse pequeno espaço aqui é que é tão grande e tão rico culturalmente falando", destacou Bartolomeu Rodrigues.
