New York Times acusa Trump de interferir na eleição brasileira e critica pressão contra Lula
Jornal americano aponta tarifas comerciais e sanções contra Alexandre de Moraes como instrumentos de pressão política e alerta para prejuízos à democracia e aos interesses dos Estados Unidos
O jornal americano The New York Times criticou a atuação do presidente Donald Trump na política brasileira e apontou tentativas de interferência no processo eleitoral que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em editorial publicado no domingo (25), antes da confirmação do resultado, o periódico afirmou que a Casa Branca abandonou a postura de neutralidade para favorecer determinados grupos políticos em outros países.
Intitulado "Trump deveria ficar fora da política brasileira", o editorial cita as tarifas de 50% impostas sobre grande parte das importações brasileiras em 2025 e as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa. Segundo o jornal, as medidas representaram uma tentativa de pressionar o Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora Trump não tenha declarado apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), o New York Times considera que as ações de seu governo demonstraram preferência política. A publicação também menciona que integrantes da Casa Branca temiam que uma manifestação explícita de apoio ao senador produzisse efeito contrário nas urnas.
O editorial compara a postura americana às intervenções realizadas durante a Guerra Fria e recorda o envolvimento dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 no Brasil. Para o conselho editorial, interferências em eleições de países democráticos prejudicam a soberania dessas nações e enfraquecem a credibilidade internacional de Washington.
A publicação também menciona a Argentina, a Colômbia, a Hungria e outros países nos quais Trump manifestou preferências eleitorais ou utilizou instrumentos econômicos e diplomáticos de pressão. O jornal reconhece, entretanto, que é difícil medir a influência dessas iniciativas sobre o comportamento dos eleitores.
O posicionamento ganhou repercussão no mesmo dia em que Lula conquistou a reeleição com aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro. O resultado mantém o petista na Presidência até 2030, em um cenário de tensões diplomáticas e divergências políticas com o governo americano.