EUA cancelam vistos de autoridades latinas
O governo Donald Trump anunciou a revogação e restrição de vistos de autoridades e ex-autoridades de quatro países da América Latina, em mais uma ação em que cita o Escudo das Américas, coalizão criada pelos Estados Unidos para ampliar a coordenação regional em segurança, combate ao narcotráfico e pressão econômica e diplomática.
A medida atinge 27 autoridade e seus familiares na Bolívia, na Colômbia, no Equador e no Peru, todos países integrantes da iniciativa americana. O Escudo das Américas foi criado no início deste ano, como uma iniciativa de Washington, mas o Brasil não foi convidado para participar.
A iniciativa passou a ocupar lugar central na tentativa do republicano de reorganizar a política dos EUA para a América Latina em torno do combate ao que seu governo chama de "narcoterrorismo".
Segundo o Departamento de Estado, os alvos da mais recente sanção são acusados de corrupção, envolvimento com o narcotráfico ou de adotar ações que enfraquecem governos democraticamente eleitos. Não há brasileiros entre os atingidos.
O anúncio ocorre menos de uma semana depois de Trump reunir, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, representantes de outros 14 países do continente para apresentar uma nova etapa do Escudo das Américas.
Na reunião do último dia 22, Trump chamou o Escudo de "a maior e mais poderosa aliança para segurança econômica e nacional" já formada no Hemisfério Ocidental e afirmou que os cartéis travavam uma guerra contra os países da região. Em seu discurso na ONU no mesmo dia, comparou essas organizações criminosas ao Estado Islâmico no Oriente Médio e defendeu uma resposta mais dura dos governos latino-americanos.
Participam do grupo, além dos EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
As restrições anunciadas nesta segunda ampliam, na prática, o alcance político dessa estratégia. Desta vez, o alvo são autoridades, ex-autoridades e outras pessoas que Washington acusa de corrupção, narcotráfico ou de prejudicar instituições democráticas em países que aderiram à coalizão.
Ao anunciar a medida, o Departamento de Estado afirmou que ela busca cumprir os compromissos assumidos para "defender a governança democrática" no continente contra corrupção e narcotráfico. Segundo a pasta, a nova política permite restringir vistos de estrangeiros e familiares que prejudiquem governos democraticamente eleitos por meio dessas práticas.
"Prejudicar um governo democraticamente eleito é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado", afirmou o Departamento de Estado, que descreveu a política como um mecanismo permanente para agir rapidamente em coordenação com parceiros regionais.
A maior parte dos atingidos está na Bolívia.