Europa eleva alerta após novos incidentes com drones em meio à tensão com a Rússia

Polônia mobiliza defesa aérea, Luxemburgo interrompe voos e Moldávia investiga possível violação de seu espaço aéreo enquanto governos reforçam vigilância

Por Bianca Lobianco

O presidente Emmanuel Macron afirmou na sexta-feira (18) que a ameaça representada por operações híbridas russas contra países europeus aumentou nas últimas semanas e ordenou o fortalecimento da proteção de infraestruturas consideradas críticas.

Uma sequência de incidentes envolvendo drones e alertas aéreos aumentou a tensão na Europa em meio ao agravamento das relações entre países do continente e a Rússia. Polônia, Luxemburgo e Moldávia adotaram medidas de segurança neste fim de semana, enquanto França e Reino Unido reforçam a preocupação com ameaças contra infraestruturas estratégicas.

Na Polônia, as Forças Armadas colocaram sistemas terrestres de defesa aérea e equipamentos de reconhecimento por radar em estado de alerta diante do risco de incursões. As operações foram posteriormente encerradas sem que fosse constatada violação do espaço aéreo polonês.

A movimentação ocorre em um ambiente de maior vigilância no flanco leste da Otan. Autoridades polonesas vêm alertando para o risco de ações híbridas e possíveis provocações contra integrantes da aliança militar, embora avaliações de serviços de inteligência europeus divirjam sobre a proximidade de uma ameaça militar direta.

Em Luxemburgo, drones não autorizados provocaram a interrupção temporária das operações do principal aeroporto do país durante a noite de sexta-feira (18). O primeiro-ministro Luc Frieden afirmou que as autoridades trabalham com aliados da Otan para esclarecer os episódios. A interrupção afetou mais de 1.800 passageiros da Luxair e levou ao desvio de 17 voos que chegariam ao país para aeroportos como Bruxelas, Paris e Frankfurt.

As autoridades luxemburguesas ainda não estabeleceram a origem dos aparelhos. Frieden afirmou que drones potencialmente maiores foram observados nos últimos dias, mas considerou prematuro atribuí-los a qualquer país ou organização.

A Moldávia também abriu investigação depois de uma explosão e da localização de destroços nas proximidades de Chisinau. A polícia encontrou fragmentos espalhados por uma área de aproximadamente 100 metros em Colonita, perto da capital.

O Ministério das Relações Exteriores moldavo afirmou que uma eventual entrada não autorizada em seu espaço aéreo representaria violação da soberania nacional e relacionou o aumento dos riscos regionais à guerra entre Rússia e Ucrânia. A investigação ainda precisa estabelecer a origem do material encontrado.

A preocupação não se limita ao leste europeu. No Reino Unido, dados obtidos pelo jornal The Independent mostram cerca de 340 incidentes relacionados a drones em instalações do Ministério da Defesa ou nas proximidades delas entre agosto de 2025 e agosto deste ano. No ano anterior, haviam sido contabilizados aproximadamente 250 episódios e, anteriormente, 126.

O Ministério da Defesa britânico não atribuiu a origem desses aparelhos. O governo afirma que parte do crescimento dos registros também está relacionada ao aprimoramento dos sistemas de vigilância e notificação.

Em fevereiro, Londres criou novas zonas de espaço aéreo restrito sobre 44 instalações militares consideradas estratégicas. Outros 160 locais deverão receber medidas semelhantes.

O aumento da vigilância britânica ocorre também em meio a um novo confronto diplomático com Moscou. A Rússia convocou a encarregada de negócios interina do Reino Unido e protestou contra o fornecimento britânico de drones e outros armamentos à Ucrânia.

Moscou advertiu que instalações militares britânicas em território ucraniano podem ser consideradas alvos caso sejam utilizadas para apoiar ataques de longo alcance contra a Rússia.

A França também reforçou seu nível de alerta. O presidente Emmanuel Macron afirmou na sexta-feira (18) que a ameaça representada por operações híbridas russas contra países europeus aumentou nas últimas semanas e ordenou o fortalecimento da proteção de infraestruturas consideradas críticas.

As declarações provocaram uma reação incomum da Reunião Nacional. Marine Le Pen e Jordan Bardella condenaram ações consideradas hostis e afirmaram que a Rússia não deve tentar influenciar a política francesa por meio de intimidação, desestabilização ou pressão.

O Kremlin rejeitou as acusações nesta segunda-feira (21). O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que a Rússia não representa ameaça à França nem a outros países europeus e negou que Moscou pratique intimidação ou chantagem contra governos do continente.

O cenário mostra uma Europa em estado de vigilância ampliada, mas exige distinção entre episódios confirmados e suspeitas ainda investigadas. Embora governos europeus acusem Moscou de ampliar operações híbridas no continente, não há confirmação pública de que todos os drones registrados nos episódios recentes tenham origem russa.

A sucessão de alertas ocorre enquanto a guerra na Ucrânia entra em uma nova fase de pressão militar, diplomática e econômica, com Estados Unidos e países europeus tentando aumentar o custo imposto a Moscou e governos da Otan reforçando a proteção de fronteiras, bases militares e infraestruturas estratégicas.