Trump endurece pressão sobre Putin e abre caminho para tarifas de até 100% contra parceiros da Rússia
Nova lei mira petróleo, gás, autoridades e "frota fantasma" de Moscou e amplia alcance das punições americanas para países que mantêm comércio energético com os russos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou uma nova lei que amplia significativamente o arsenal econômico de Washington contra a Rússia e permite a aplicação de tarifas de até 100% sobre grandes compradores de petróleo e gás russos.
A medida representa uma mudança no grau de pressão exercido pelo segundo governo Trump sobre Moscou após tentativas de negociação para encerrar a guerra na Ucrânia não produzirem um acordo.
Batizada de Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026, a legislação homenageia o senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e foi um dos principais defensores do endurecimento das sanções contra o governo de Vladimir Putin.
O projeto foi aprovado pelo Senado por 86 votos a 11. Na Câmara dos Representantes, recebeu 262 votos favoráveis e 159 contrários antes de seguir para a assinatura presidencial.
O objetivo central é reduzir as receitas que ajudam a financiar a guerra russa na Ucrânia. Para isso, a legislação amplia as punições contra autoridades políticas e militares, instituições financeiras, setores de energia e defesa e redes estrangeiras utilizadas para contornar sanções anteriores.
Um dos principais alvos é a chamada "frota fantasma", conjunto de petroleiros utilizado para transportar petróleo russo e dificultar a aplicação das restrições internacionais sobre as exportações de Moscou.
O alcance da lei, entretanto, ultrapassa as fronteiras russas.
Trump passa a dispor de instrumentos para impor tarifas de até 100% sobre importações provenientes dos principais países compradores de petróleo e gás da Rússia. China e Índia, duas das maiores consumidoras da energia russa, estão entre as economias potencialmente mais expostas às novas medidas.
A lei prevê condições e exceções e concede ao presidente americano ampla margem para definir como e quando determinadas punições serão aplicadas. Portanto, a sanção do texto não significa que uma tarifa de 100% tenha sido automaticamente imposta a todos os compradores de energia russa.
Essa diferença é relevante porque parte do impacto econômico dependerá das decisões que Trump tomar na implementação da legislação. A ampliação desses poderes também provocou resistência dentro dos Estados Unidos. Apesar do apoio bipartidário às medidas contra Moscou, parlamentares democratas questionaram a extensão da autoridade tarifária concedida ao presidente e os possíveis impactos das medidas sobre parceiros comerciais americanos.
O pacote também amplia as sanções dirigidas diretamente a integrantes do governo russo e às estruturas usadas para financiar ou abastecer a máquina de guerra.
A ofensiva ocorre depois de meses de negociações e pressão sobre Moscou para um acordo sobre a Ucrânia. Trump havia demonstrado resistência a novas sanções em determinados momentos de seu governo, enquanto defendia espaço para negociações com Putin.
A ausência de um acordo ampliou a pressão política em Washington por medidas econômicas mais duras.
A Ucrânia vinha defendendo justamente esse caminho. O presidente Volodymyr Zelensky e aliados de Kiev argumentam que atingir as receitas de petróleo e gás pode reduzir os recursos disponíveis para financiar as operações militares russas.
A Rússia, por outro lado, sustenta que novas sanções prejudicam as possibilidades de negociação e acusa os Estados Unidos e seus aliados de prolongarem o conflito por meio do apoio militar e econômico à Ucrânia.
O novo pacote também surge em meio ao aumento das preocupações de países europeus com possíveis ações híbridas russas. Polônia, Luxemburgo e Moldávia registraram episódios aéreos suspeitos nos últimos dias, enquanto França e Reino Unido reforçaram medidas de proteção de infraestruturas e instalações militares.
Não há, porém, comprovação de que todos esses episódios estejam ligados diretamente a Moscou.
A combinação de sanções econômicas, apoio militar à Ucrânia e reforço das defesas europeias amplia a pressão sobre Putin em diferentes frentes. Ao mesmo tempo, a possibilidade de atingir comercialmente países que continuam comprando energia russa transforma a nova legislação americana em um instrumento com efeitos potenciais muito além da guerra.
O tamanho desse impacto dependerá agora de como Trump utilizará os poderes concedidos pela lei, especialmente em relação a China, Índia e outros grandes parceiros econômicos de Moscou.