Número de mortos confirmados em avalanche no Nepal chega a 160

Entre os desaparecidos estão 341 estrangeiros que visitavam uma área turística conhecida pela peregrinação hindu ao Kailash Mansarovar

Por Petrônio Viana

Imagens de satélite mostram dimensão da área atingida pelas enchentes no Nepal

O governo do Nepal confirmou até o momento 160 mortes nas inundações provocadas por uma avalanche que atingiu a região da fronteira com o Tibete, nesta quarta-feira (26). Pelo menos 800 pessoas estão desaparecidas. No Tibete, foram registrados 3 mortos e 265 desaparecidos.

Entre os desaparecidos no Nepal estão 384 viajantes, sendo 341 estrangeiros. A tragédia atingiu a cidade de Syabrubesi, no início da trilha do Langtang, além de outras áreas frequentadas por turistas interessados no passeio de peregrinação hindu ao Kailash Mansarovar.

A tragédia teria sido provocada pelo colapso de uma geleira centenas de metros abaixo, nos vales do distrito de Rasuwa.

“Está confirmado que uma parte substancial da ponta da geleira desabou, desencadeando o evento — provavelmente incluindo ou arrastando uma quantidade considerável de rochas e sedimentos”, disse o especialista em geologia de engenharia e professor da Universidade de Sikkim, na Índia, Vikram Gupta.

Imagens de satélite produzidas pela Planet Labs e divulgadas pela Reuters mostram áreas inteiras, antes cobertas de vegetação, tomadas pela lama e detritos.

“Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, disse o professor associado da Universidade de Calgary, Dan Shugar.

“Pelo que posso ver nas imagens de satélite desta manhã da Planet Labs, a parte inferior de uma geleira se desprendeu a cerca de 5.200 metros e desabou no fundo do vale, cerca de 1.200 metros abaixo”, afirmou Shugar.

A região atingida pelo desastre não é considerada de alta densidade demográfica, mas serve para conectar diversas cidades e vilas. Uma usina hidrelétrica e um porto estão instalados na área, além de um posto fronteiriço entre o Nepal e a China, que controla o território do Tibete.