Corrupção derruba assessora de Zelenski
Após investigação apontar lavagem de dinheiro, Irina Mudra foi exonerada
Já sob intensa pressão política devido ao desafio lançado por um popular ex-ministro e pela dinâmica mais violenta da Guerra da Ucrânia, o presidente Volodimir Zelenski teve de demitir na quarta (19) mais uma pessoa de seu círculo de poder sob acusação de corrupção. A queda da vice-chefe de gabinete presidencial, Irina Mudra, ocorreu após dois órgãos de investigação apontarem que ela e outros integrantes do governo participavam de um esquema de lavagem de dinheiro. No fim de 2025, o chefe de gabinete e braço-direito de Zelenski, Andrii Iermak, renunciou após apuração análoga.
O episódio ocorre um dia depois que o popular ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov, demitido por Zelenski em 16 de julho, publicou um vídeo criticando o governo e pedindo a realização de eleições presidenciais mesmo com a vigência da lei marcial, que as impede em tempo de guerra. A declaração de Fedorov, cuja exoneração levou a uma onda de protestos de rua que teve seu capítulo mais recente no domingo (16), ocorreu logo depois de Zelenski enviar para aprovação da Rada (Parlamento) o nome de seu sucessor, Ievhenii Khmara.
A votação ocorreu nesta quarta, e Khmara foi aprovado por 312 dos 325 deputados presentes. Ainda não se sabe se isso será suficiente para demover os manifestantes, que agora têm uma nova agenda e prometem novos atos.
Nesta quarta, um grupo protestou e lamentou a votação à frente da Rada. "Vergonha!", gritaram jovens, em sua maioria. Mas uma pesquisa publicada dia 5 pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev apontava que 57% dos ucranianos defendiam pelito apenas após a eleição.
Khmara é um general de divisão que desde o começo do ano liderava interinamente o poderoso SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia), responsável por ações especiais, e havia sido colocado de forma provisória na cadeira de Fedorov. Militar de vida tão discreta, nem sua idade é conhecida na imprensa ucraniana, ele ganhou fama na operação que reconquistou das mãos russas a ilha da Cobra, no mar Negro, logo depois da invasão de Vladimir Putin em 2022.
Ele dirigiu várias ações do SBU contra os rivais, a mais famosa delas sendo a Operação Teia de Aranha, que atingiu diversas bases de bombardeiros dentro da Rússia com drones que haviam sido transportados por caminhões, há pouco mais de um ano.