Ataque da Ucrânia deixa sete civis mortos na Rússia
Violência contra civis segue em alta na fase mais brutal da guerra
Ataques promovidos pela Ucrânia mataram ao menos sete civis no sul da Rússia nesta segunda (17), após um fim de semana de violência na guerra iniciada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022. O ataque com mais mortos ocorreu na vila de Koloskovo, que fica a 24 km da fronteira ucraniana na região de Belgorodo. Lá, um ataque com foguetes matou 6 pessoas e feriu outras 4, segundo o governo local.
Já em Astrakhan, mais a leste, uma mulher foi morta quando drones das forças de Volodimir Zelenski atingiram uma área industrial.
Ao todo, os russos disseram ter derrubado 205 drones em todo o país. Na véspera, haviam sido mais de 800. Os drones que passaram e os destroços atingiram novamente instalações da gigante do e-commerce Wildberries, deixando ao menos oito mortos, e refinarias.
As ações ucranianas visam afetar não só a cadeia logística russa, mas o moral da classe média, que usa muito os serviços de varejo online e tem sido impactada pela falta de combustíveis. O apoio à guerra, ainda alto em 66% segundo o independente Centro Levada, está no menor nível desde o começo do conflito.
Já ataques com mísseis e drones russos contra a Ucrânia mataram ao menos 11 civis, mantendo nesse agosto a tendência de aumento de mortalidade de não combatentes registrado em julho.
Segundo números baseados em dados abertos recolhidos pela ONG americana Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), o mês passado foi o pior para civis desde março de 2022, o primeiro mês inteiro do conflito. Morreram 676 pessoas, 579 delas na Ucrânia, uma média de 21,8 fatalidades diárias. Em janeiro, eram 7,1 mortes. Houve também o recorde de eventos violentos registrados pelo Acled na guerra: 11.491, sendo 8.963 deles no país de Zelenski.
O aumento da violência, que já era alta no caso dos combatentes, contra a população acompanha a estagnação nas negociações para achar uma saída diplomática para o conflito. Os Estados Unidos haviam assumido o papel de mediador, passando a bola do financiamento e apoio militar a Kiev para a Europa.
Só que o conflito iniciado por Trump e seus aliados israelenses contra o Irã no fim de fevereiro retirou a guerra europeia do primeiro lugar na fila de prioridades do republicano.