Departamento de Estado dos EUA nega intenção de impedir reeleição de Lula

Divulgação de vídeo em que os EUA alegam "domínio" sobre a América gerou preoupação na campanha de Lula à Presidência

Por Petrônio Viana

Departamento de Estado evitou citar Rubio em nota sobre suposta tentativa de impedir reeleição de Lula

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou a suposta intenção de impedir a reeleição de Lula na disputa de outubro deste ano. O órgão, comandado por Marco Rubio, disse respeitar “qualquer governo” escolhido pelo povo brasileiro e que mantém relações com “ambos os lados do espectro político no Brasil”.

“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou o Departamento de Estado ao G1, sem mencionar Marco Rubio.

A preocupação da campanha de Lula com uma eventual interferência dos EUA nas eleições de outubro aumentou com a divulgação de um vídeo no qual o governo de Donald Trump afirmava que o “domínio” do país sobre a América “nunca mais será questionado”.

Ricardo Stuckert - Campanha de Lula teme tentativa dos EUA de impedir reeleição

No vídeo, o governo de Donald Trump remonta historicamente à Doutrina Monroe, aplicada para influenciar o continente desde o século XIX, até as interferências mais recentes, como a prisão do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e o apoio aos presidentes Javier Milei, na Argentina, e Abelardo la Espriella, na Colômbia.

Na avaliação da equipe de Lula, de acordo com informações do G1, o vídeo demonstra a intenção de Rubio de implantar uma “diplomacia de quintal” nas relações com a América do Sul, que se tornaria área de influência norte-americana.

A estratégia passaria pela derrota do presidente brasileiro nas eleições deste ano. A referência a Maduro também seria um alerta de que os EUA estariam dispostos a usar a força para alcançar seus objetivos na região.

Na resposta enviada ao G1, o Departamento de Estado dos EUA usou a mesma expressão — “eleições livres e justas” — utilizada para questionar a eleição de adversários ideológicos em outros países. Às vésperas da eleição presidencial do Brasil, as duas nações enfrentam uma crise diplomática que já passou pelas tarifas comerciais impostas pelos EUA, pela rejeição de vistos de diplomatas pelo governo Lula e pela revogação do visto da embaixadora em Washington Maria Luiza Ribeiro Viotti.

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