EUA e Irã sinalizam disposição para negociar após ataques

Mediadores propõem trégua de dez dias

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Trump está sob pressão interna pelo aumento dos preços da gasolina

Os Estados Unidos e o Irã sinalizaram nesta segunda-feira (20) que estariam dispostos a retomar as negociações após mais de uma semana de troca de ataques em todo o Oriente Médio, que enterrou o cessar-fogo firmado no mês passado e elevou o medo de um conflito em larga escala.

Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência de notícias Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta para conter a escalada do conflito com os EUA. O plano prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou a jornalistas nesta segunda-feira que o país recebeu propostas para reduzir as tensões, mas não forneceu detalhes. O presidente Masoud Pezeshkian disse que o país está em uma "guerra em larga escala" com os EUA.

Segundo a agência AFP, o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, deve viajar nesta segunda para a capital do Paquistão, país que atua como mediador no conflito.

O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que "se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta". No entanto, acrescentou que o "comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude".

Por outro lado, num aumento de tensão, os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram nesta segunda-feira que estão impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, uma medida que abre uma nova frente de guerra contra os EUA e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.

O Irã havia pressionado os Houthis a fecharem a passagem de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, caso os EUA continuassem atacando a infraestrutura estratégica iraniana.

Em comunicado, as forças armadas dos Houthis disseram estar declarando "um embargo marítimo contra o criminoso inimigo saudita, com base no princípio de 'olho por olho', com efeito imediato". Não houve resposta imediata por parte da Arábia Saudita.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira que atingiu alvos militares americanos em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios de Washington contra cidades iranianas, marcando o nono dia consecutivo de ataques.

Trump, sob crescente pressão interna por causa do aumento dos preços da gasolina devido ao conflito, defendeu a ofensiva mais recente contra o país persa como uma retaliação pela morte de três militares americanos em ataques iranianos recentes.