Irã admite negociar após bloqueio e nova ameaça de Trump

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Estados Unidos retomaram medida em Hormuz após colapso do cessar-fogo

No primeiro dia de vigência do bloqueio naval americano ao Irã e após novas ameaças de Donald Trump, a teocracia manteve a retórica agressiva ante os rivais, mas pela primeira vez desde o recomeço das hostilidades no Oriente Médio admitiu que quer negociar uma saída diplomática para a crise.

Em comunicado nesta quarta-feira (15), o principal negociador iraniano, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que "escolher entre negociações e guerra seria um erro estratégico", ainda que seu país esteja pronto para retaliar cada ataque americano.

"Vamos defender nosso interesse nacional, mas também devemos usar os instrumentos da diplomacia", afirmou, ao mesmo tempo em que rejeitou os termos da trégua que o Irã havia assinado com os Estados Unidos no dia 17 de junho, que o Trump declarou nula na quarta passada (8). Logo, apesar da abertura, é incerto se haverá avanços.

Apesar da linguagem calculada, a inflexão iraniana vem após o início do bloqueio dos EUA aos portos do país. O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, que opera na região do Oriente Médio, disse nesta quarta ter desviado dois navios que tentaram driblar a ação, iniciada na véspera.

Em sua conta no X, o Centcom, como o órgão é conhecido, não detalhou se chegou a abordar as embarcações ou se elas se dirigiam ou estavam vindo de portos iranianos no estreito de Hormuz, que liga golfo Pérsico ao oceano Índico.

Mais tarde, o comando disse que aviões de combate atingiram a chaminé de um petroleiro com bandeira de Curaçao que não estava carregado, rumo à ilha de Kharg, terminal petrolífero iraniano.

Antes, a Guarda Revolucionária da teocracia havia dito também sem detalhar que havia parado dois navios que não tinham permissão sua para passar pelo estreito, mas não está claro se eram embarcações diferentes ou apenas mais uma disputa narrativa na região.

O bloqueio foi implementado às 17h, no horário de Brasília, de terça (14). É a segunda vez que os EUA tomam a medida no ano. A primeira foi entre 13 de abril e 17 de junho, quando foi assinado um cessar-fogo de 60 dias que o presidente americano declarou morto na quarta passada (8).

Desde então, a guerra voltou a uma fase ativa, mas limitada em comparação com as cinco semanas a partir dos primeiros ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro. Por ora, Tel Aviv está fora da ação e Washington tem mirado alvos militares ligados às operações iranianas no estreito.

A via é central para o mercado de petróleo global, sendo canal de escoamento de 20% da produção da commodity e de gás natural liquefeito no mundo em tempos de paz.