Peru: Mil atas separam o vencedor da eleição

Keiko Fujimori está 20 mil votos à frente de Roberto Sánchez

Por Marcelo Perillier

Família Fujimori pode voltar ao poder no país

A disputa presidencial no Peru segue indefinida mesmo após o processamento de 100% das atas eleitorais. Embora todos os votos já tenham sido inseridos no sistema eleitoral, cerca de 1.261 atas ainda aguardavam análise pelas autoridades, o equivalente a aproximadamente 1,4% do total.

A margem apertada entre os candidatos mantém a expectativa em torno do resultado final. A candidata conservadora Keiko Fujimori aparece à frente do esquerdista Roberto Sánchez por cerca de 20 mil votos, em uma eleição que mobilizou aproximadamente 27 milhões de eleitores. Ao longo da apuração, ambos alternaram a liderança, refletindo o equilíbrio da disputa.

A contagem avançou rapidamente nos primeiros dias após a votação, alcançando cerca de 90% das atas poucas horas depois do fechamento das urnas. Desde então, porém, o processo desacelerou, reforçando a previsão das autoridades eleitorais de que a confirmação oficial poderá levar várias semanas.

Parte da vantagem de Fujimori vem dos votos dos peruanos residentes no exterior. Com quase todas as atas consulares contabilizadas, a candidata registra ampla vantagem nesse segmento, o que contribuiu para ampliar sua diferença sobre o adversário na reta final da apuração.

Enquanto a contagem prossegue, a disputa também se desenrola no campo jurídico. O partido Juntos pelo Peru, de Sánchez, apresentou pedidos para anular 2.400 mesas de votação, sendo 1.751 em Lima e 649 no exterior, regiões consideradas favoráveis à candidatura de Fujimori.

No entanto, parte dos recursos foi rejeitada por questões processuais. O Júri Eleitoral Especial de Lima declarou improcedente o pedido referente a mais de 1.700 mesas devido à ausência do comprovante de pagamento da taxa exigida pela legislação eleitoral. O valor para contestar cada mesa é de 1.337 soles, o que representaria um custo superior a R$ 4,7 milhões para o partido.

A legenda de Sánchez argumenta que identificou padrões de votação considerados improváveis em favor do Força Popular, partido de Fujimori, e sustenta haver indícios de irregularidades que justificariam a anulação das mesas contestadas. As alegações, porém, ainda dependem de análise das autoridades eleitorais.

Paralelamente, o partido iniciou campanhas de arrecadação para financiar a contestação do resultado e passou a incentivar mobilizações em defesa da transparência eleitoral. Nos últimos dias, manifestações de apoiadores ocorreram em diferentes cidades e foram amplamente divulgadas nas redes sociais do candidato.

A estratégia, no entanto, contrasta com declarações feitas por Sánchez durante a campanha. Antes da votação, ele havia afirmado que aceitaria o resultado das urnas e que o respeito à decisão dos eleitores era um princípio fundamental da democracia.

Com a apuração próxima do fim e os recursos sob análise, o Peru aguarda a definição oficial de uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os candidatos, pela judicialização do processo e pela mobilização política em torno da legitimidade do resultado.