Irã e Israel suspendem ataques mútuos
Israel, porém, fez novo ataque ao Líbano, contrariando Trump
Israel e Irã indicaram nesta segunda-feira (8) disposição para conter a escalada militar que quase enterrou o cessar-fogo e reacendeu o risco de uma retomada do conflito em larga escala no Oriente Médio. Os dois países anunciaram a suspensão dos ataques, mas advertiram que voltarão a retaliar caso sejam alvos de novas ofensivas.
O recuo ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigir publicamente que os dois países interrompessem os ataques e afirmar que um acordo para encerrar o conflito continua ao alcance. "Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente", escreveu o republicano na rede Truth Social.
Em outro post, Trump disse as negociações estão avançando, embora "sujeitas a ignorância ou estupidez que atrapalham o caminho". Os confrontos elevaram os preços do petróleo no mercado internacional e aumentaram a pressão sobre o presidente, que enfrenta cobranças internas para colocar fim à guerra.
Logo após o post de Trump, o comando das Forças Armadas do Irã anunciou o fim dos ataques contra Israel, mas advertiu que responderá com medidas "muito mais duras e contundentes" caso os bombardeios israelenses no Líbano sejam retomados.
Na mesma linha, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã continua comprometido com a via diplomática, mas acrescentando que o país "não recuará diante de qualquer ameaça". Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã está trocando mensagens com Washington em um ambiente de "extrema desconfiança".
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu gravou um vídeo em que diz ter suspendido os ataques contra o país persa, mas prometeu voltar com a ofensiva caso Irã retome o lançamento de mísseis. Segundo oficiais israelenses ouvidos pelo jornal The New York Times e pela agência Reuters, o premiê tinha um novo ataque programado, mas recuou por pressão de Trump após uma ligação telefônica nesta segunda.
Porém, ataques de Israel no sul do Líbano deixaram ao menos 14 mortos nesta segunda-feira (8), segundo o Ministério da Saúde libanês. Os bombardeios ocorreram após Tel Aviv afirmar que continuará realizando operações contra o Hezbollah apesar das advertências do Irã e do próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os mortos na ofensiva na cidade de Zifta, no distrito de Nabatieh, estão uma mulher e uma criança síria, de acordo com autoridades libanesas. O Hezbollah afirmou ter atacado tropas israelenses em território libanês, mas não reivindicou ações dentro de Israel.