Brasil busca acordo para evitar tarifa extra dos EUA sobre produtos

Governo negocia com Washington para impedir sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras e trabalha com prazo até 15 de julho para alcançar entendimento comercial

Por Redação

As tratativas ocorrem em meio a divergências sobre temas comerciais e regulatórios

O governo federal intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) após investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington.

A administração brasileira avalia que ainda há espaço para um entendimento antes da decisão final, prevista para 15 de julho. Entre os argumentos apresentados pelo Brasil está o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral e enfrentarem uma tarifa média de apenas 2,7% sobre seus produtos exportados ao país.

As tratativas ocorrem em meio a divergências sobre temas comerciais e regulatórios. O governo brasileiro rejeita as acusações feitas pelos norte-americanos e sustenta que questões como o sistema de pagamentos Pix não serão objeto de negociação. Além disso, considera que parte das medidas propostas reflete uma postura protecionista por parte de Washington.

Apesar do prazo ampliado para as negociações, interlocutores do governo reconhecem dificuldades para avançar em um acordo, diante da ampla agenda internacional dos Estados Unidos e da abrangência das demandas apresentadas pelo país. Paralelamente, permanece a possibilidade de um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a reunião do G7, prevista para ocorrer entre 15 e 17 de junho.

Outra tarifa adicional, entre 10% e 12,5%, aplicada pelos EUA a dezenas de países sob alegações relacionadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão, é vista pelo governo brasileiro como uma medida de alcance global e com menor margem para negociação. A taxação também atinge parceiros históricos dos Estados Unidos, como Japão, Canadá, União Europeia, Índia e Argentina.