EUA e Irã concordam em prolongar cessar-fogo

Estados Unidos e Irã trocaram ataques nos últimos dias

Por

Teerã nega ter concordado com a extensão do cessar-fogo

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para prolongar o cessar-fogo entre os dois países por mais 60 dias, de acordo com relatos da imprensa americana publicados nesta quinta-feira (28). Autoridades dos EUA falaram sob condição de anonimato ao portal Axios e à agência de notícias Reuters em meio a nova troca de fogo na região e a investidas de Israel contra o Líbano.

Segundo essas autoridades, os dois lados do conflito no Oriente Médio finalizaram um documento se comprometendo com a trégua e estabelecendo um ponto de partida para mais negociações, em especial sobre o destino do urânio altamente enriquecido em posse do Irã. O texto, entretanto, ainda precisaria da aprovação do presidente Trump.

Horas depois, entretanto, a agência de notícias estatal do Irã desmentiu o relato, afirmando que o documento não está finalizado e que, quando isso acontecer, será feito um anúncio público.

Já o vice-presidente americano, J. D. Vance, disse que as negociações ainda "não chegaram lá", mas que os países estão próximos a um acordo. Em conversa com a imprensa, Vance confirmou a existência do documento, e afirmou que, quando publicado, ele impediria de maneira significativa a capacidade do Irã de desenvolver uma bomba nuclear.

"É difícil dizer exatamente quando ou se o presidente vai assinar o memorando de entendimento", afirmou Vance. "Estamos indo e voltando em alguns termos. Não posso garantir que vamos chegar lá, mas estou com um bom pressentimento."

Trump tem dado declarações contraditórias nos últimos dias, ora insinuando que um acordo está próximo, ora dizendo que a guerra, que já dura três meses, vai continuar por "mais um tempo" —quando iniciou o conflito contra o Irã ao lado de Israel, Trump prometeu que ele duraria, no máximo, seis semanas.

O presidente está sob pressão de aliados no Partido Republicano que são contrários a qualquer acordo de paz que não inclua, de forma decisiva, a retirada ou destruição do urânio enriquecido do Irã.

O senador Lindsey Graham, influente membro do Congresso americano, disse no último dia 23 que se a guerra chegar ao fim enquanto o país persa "ainda possuir a capacidade de destruir infraestrutura petrolífera dos países do Golfo, o Irã será uma força dominante que necessitará de uma solução diplomática".

"Isso seria uma enorme mudança no equilíbrio de forças na região e, com o tempo, um pesadelo para Israel", afirmou.

Na quarta (27), os EUA fizeram novos ataques ao Irã, tendo como alvo um local militar que representava uma ameaça às forças americanas e ao tráfego marítimo comercial no estreito de Hormuz. O funcionário afirmou que os militares americanos também interceptaram e abateram vários drones iranianos que representavam ameaça semelhante.