Israel expande ataques ao Líbano

Israel cumpriu ameaças a despeito de cessar-fogo

Por Guilherme Botacini (Folhapress)

Trégua não parou ataques tanto de Israel como do Hezbollah

As Forças Armadas de Israel declararam todo o território do Líbano ao sul do rio Zahrani uma "zona de guerra", nesta quarta-feira (27), cobrindo como espaço potencial de operações aéreas e terrestres uma área inédita neste século e que vai além da que ocupou de 1982 a 2000.

"O Exército de Israel não está tirando o pé do acelerador. Pelo contrário, eu disse para acelerar ainda mais", havia dito na segunda-feira (25) o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

A expansão das operações foi anunciada pelo porta-voz em língua árabe do Exército israelense, Avichay Adraee, acompanhada de uma ordem de retirada de todos os habitantes ao sul do rio, incluindo cidades maiores e até então fora da zona de exclusão, como Tiro, na costa, e Nabatieh, esta já além do rio Litani —ambas atingidas pelos novos ataques.

A divisa geográfica do rio Litani é o limite ao sul do qual se retiraram as forças de Israel após a invasão no início da década de 1980 e da ocupação do território libanês; é também ao sul desse rio que ainda opera a frágil missão da ONU (Unifil), cujo mandato termina no fim do ano sem resultados esperados e sem renovação prevista.

As ordens para que civis se retirem para o norte do rio Zahrani, portanto, indicam nova fase do conflito entre Israel e o Hezbollah, o que sugere planejamento e disposição de Tel Aviv de ampliar sua presença militar em uma área ainda maior do território vizinho —e apesar de um cessar-fogo em vigor desde o dia 17 de abril, mas apenas no papel.

Os dois lados desrespeitam a trégua com ataques que têm aumentado gradativamente e já vêm ocorrendo nessa área desde o início do cessar-fogo.

Segundo o Centro Alma, grupo de pesquisa de Israel que se dedica às fronteiras norte do país e têm relações com o Exército, Tel Aviv lançou 784 ataques aéreos fora da zona de exclusão, de cerca de 570 km², segundo o jornal britânico Financial Times.

A área é uma faixa dentro de território libanês também chamada de "linha amarela", assim como a divisa semelhante criada na Faixa de Gaza durante a trégua no território palestino. Apenas 78 bombardeios ocorreram dentro da zona libanesa.

Por outro lado, também segundo o Centro Alma, o Hezbollah atacou forças israelenses ou comunidades no norte de Israel 545 vezes desde a trégua, a grande maioria desses ataques operados com drones. Dez soldados israelenses foram mortos, segundo Tel Aviv.

Enquanto Netanyahu anunciava o aprofundamento das operações no Líbano no início da semana, Beirute afirmava que novos ataques de Israel mataram ao menos 31 pessoas em 24 horas.