Video de Ben-Gvir mostra ativistas amarrados

Binyamin Netanyahu repudiou o vídeo do Ministro de Israel

Por Por Folhapress

Itamar Ben-Gvir divulgou vídeo de manifestantes amarrados

O ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo nesta quarta-feira (20) que mostra ativistas detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão enquanto o hino nacional israelense é reproduzido em volume alto. A publicação provocou indignação, iniciou nova crise diplomática envolvendo Tel Aviv e expôs divisões no governo liderado pelo premiê Binyamin Netanyahu.

O grupo integrava uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, interceptada pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo. A gravação mostra os ativistas em uma embarcação militar e já em território israelense. Em um dos trechos, Ben-Gvir aparece agitando uma bandeira de seu país. A publicação é acompanhada das legendas "Bem-vindos a Israel" e "É assim que aceitamos os apoiadores do terrorismo".

O material motivou reações duras dentro e fora de Israel. A França disse que tais ações são inaceitáveis e convocou o embaixador israelense em Paris para prestar esclarecimentos, num gesto que é considerado uma reprimenda diplomática. Outros governos, incluindo de Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Irlanda e Turquia também criticaram o tratamento dispensado aos ativistas detidos.

A chefe da diplomacia da União Europeia, a estoniana Kaja Kallas, classificou o tratamento dado por Israel aos ativistas de degradante e errado. Afirmou ainda que a conduta de Ben-Gvir é "imprópria para alguém em cargo eletivo em uma democracia" —recentemente, a UE aplicou sanções a colonos judeus na Cisjordânia e foi chamada de "união antissemita" pelo ministro.

O chanceler israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir de prejudicar a imagem internacional do país, o que evidenciou um racha na coalizão governista. Já o premiê Netanyahu disse ter ordenado a deportação dos ativistas, mas afirmou que "a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel".

Os cerca de 430 integrantes da flotilha começaram a ser transferidos nesta quarta para o território de Israel, onde permaneciam detidos antes da deportação. Quatro brasileiros estão no grupo. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os ativistas foram retirados de suas embarcações e levados para navios israelenses após a interceptação.

A mais recente flotilha era composta por quase 50 barcos e havia partido do sul da Turquia na quinta (14) da semana passada. Os organizadores afirmam que a missão tinha como objetivo levar ajuda humanitária ao território palestino e desafiar o bloqueio naval mantido por Israel.