Trump deixa China sem grandes anúncios

Xi aceitou visitar Washington no segundo semestre deste ano

Por Victoria Damasceno (Folhapress)

O fim do encontro entre o líder do regime chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim, foi marcado pela ausência de grandes anúncios. O americano voltou para Washington com menos negócios do que esperava, enquanto o chinês pregou a "estabilidade estratégica" como a nova moldura para a relação bilateral entre os países nos próximos anos. Trump deixou a capital chinesa a bordo do Air Force One na tarde de sexta-feira (15) no horário local, madrugada do mesmo dia no Brasil, após uma manhã de reuniões com Xi no complexo Zhongnanhai, local que abriga as principais lideranças do Partido Comunista Chinês e do regime.

O encontro entre os dois deve se repetir neste ano. Xi aceitou o convite de Trump para uma visita em Washington. Segundo a mídia estatal, a viagem será organizada para o outono do hemisfério Norte, ou seja, entre setembro e novembro.

O americano viajou à China acompanhado de CEOs de algumas das maiores companhias do mundo na expectativa de fechar novos negócios e diminuir o déficit comercial, mas o divulgado até agora foi mais modesto do que o esperado pelos EUA.

Havia a expectativa, por exemplo, de que Pequim comprasse cerca de 500 aeronaves da Boeing, mas a quantidade adquirida foi de 200. A última grande compra que o país asiático fez com a fabricante foi em 2017, durante a primeira viagem do americano à China como chefe de Estado, quando foram encomendadas 300 unidades.

Não foram publicados detalhes das negociações envolvendo os empresários, apenas relatos da Casa Branca indicando que Xi estaria disposto a abrir mais o mercado chinês para as empresas americanas, o que também foi considerado uma vitória por Washington.

No campo das commodities, um comunicado emitido pela chancelaria chinesa afirma que os líderes concordaram em maior cooperação na agricultura, enquanto as autoridades americanas dizem que Xi aceitou ampliar as compras na área. Nenhum dos lados, porém, deu detalhes do suposto arranjo.

A soja, que era um dos principais temas a serem levados pelo americano, parece ter ficado de lado, sem promessas de Pequim de aumentar o compromisso de compras, que estão na casa de 25 milhões de toneladas por ano até 2028.

Trump também tinha como objetivo ampliar a exportação de carne bovina americana para a China, mas até agora não foi anunciado se houve avanço nessa frente. Uma apuração da Reuters mostrou que Pequim renovou temporariamente uma série de licenças vencidas de frigoríficos americanos, sugerindo que a conversa sobre o tema havia progredido. As renovações, porém, ficaram em vigor apenas por algumas horas durante a cúpula.