Trump faz bloqueio naval de Hormuz para o Irã
Marinha dos EUA diz que trânsito está liberado para navios neutros
A ordem do presidente Donald Trump para o bloqueio naval do trânsito de navios iranianos no estreito de Hormuz fez cessar o tráfego que já era mínimo na via. Antes da guerra de Estados Unidos e Israel contra a teocracia islâmica, a passagem escoava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado.
O bloqueio começou às 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. Antes dele, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas dois navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região, ante 14 na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7). Depois, ao menos outros dois deram meia-volta.
Na segunda, Trump disse que 34 navios haviam passado no domingo, mas o número não bate com o de empresas referenciais como a Kpler. Seu monitor MarineTraffic registra cerca de 1.600 navios parados dos dois lados do estreito.
No domingo (12), o presidente americano determinou a medida para qualquer navio que tenha pagado o pedágio imposto pelo Irã na semana passada. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais.
Com isso, um petroleiro precisa pagar em criptomoedas US$ 1 por barril de óleo transportado, por exemplo. Diante do fracasso da rodada de negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana, Trump então anunciou o bloqueio.
Já quem irá executá-lo, a Marinha sob o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, disse que irá interceptar navios de quaisquer países que estejam vindo ou indo a portos iranianos, que é algo diferente de um hipotético petroleiro de bandeira panamenha com produto do Kuwait que tenha aceitado pagar a taxa do Irã.
Em uma segunda postagem sobre o tema na madrugada desta segunda, Trump falou em bloqueio envolvendo portos iranianos. Horas depois, nota da Marinha a navegadores disse que "o bloqueio não vai impedir o trânsito neutro pelo estreito para ou de destinações não iranianas".
Segundo os EUA, navios neutros ora em portos iranianos poderão deixar a área "por um período limitado" sem serem importunados.
Na prática, navios de guerra dos EUA patrulham áreas de trânsito e avisam, por rádio, que estão interditadas. Se a embarcação comercial não parar ou der meia-volta, ela pode ser abordada por lanchas e helicópteros e apreendida. Em casos extremos, uso da força pode ocorrer.