Papa Leão XIV diz não ter medo de Donald Trump

Após ser chamado de fraco pelo presidente, pontífice reage

Por

Após semanas de tensão crescente entre o papa Leão 14 e Donald Trump, as críticas deixaram de ser indiretas e evoluíram para um confronto verbal aberto, ainda que à distância.

Na noite de domingo (12), o presidente dos Estados Unidos chamou o pontífice de "terrível" e "fraco". Já na manhã de segunda-feira (13), o papa respondeu: "Não tenho medo da administração Trump. Continuarei proclamando em voz alta a mensagem do Evangelho".

Este é o embate mais direto entre os dois desde que Robert Prevost foi eleito papa, em maio do ano passado, tornando-se o primeiro americano a liderar a Igreja Católica.

A declaração foi dada durante o voo de Roma para Argel, primeira etapa de uma viagem de dez dias pela África. Leão 14 afirmou que não pretende entrar em debate político, mas criticou o uso da religião para justificar conflitos e reforçou que seguirá defendendo a paz, o diálogo e o multilateralismo.

O papa destacou o sofrimento causado pelas guerras e disse que é preciso apontar caminhos melhores diante da morte de inocentes.

Horas antes, Trump havia publicado uma mensagem em sua rede social na qual acusou o papa de ser "fraco com a criminalidade" e "péssimo em política externa". Também criticou posições do pontífice sobre o Irã e a Venezuela e sugeriu que sua eleição teria sido favorecida por ele ser americano.

O episódio é visto como incomum. Embora papas já tenham criticado ações dos EUA, ataques tão diretos de um presidente americano ao líder da Igreja Católica são raros.

Depois, Trump voltou a provocar ao publicar uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece vestido como Jesus. A postagem foi apagada, mas ele afirmou que não pediria desculpas.

As declarações ocorrem após semanas em que o papa pede o fim de conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em vigília na Basílica de São Pedro, ele criticou o uso de linguagem religiosa para justificar guerras e afirmou que Deus não abençoa conflitos.

Na Itália, as falas de Trump geraram reação. O presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni manifestaram apoio ao papa. Meloni classificou as declarações como inaceitáveis e destacou que é papel do pontífice defender a paz.

A Conferência Episcopal Italiana também criticou Trump e afirmou que o papa não é um adversário político, mas uma liderança espiritual voltada à dignidade humana, ao diálogo e à responsabilidade.